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#MetaAColher: “Não temos amparo do Estado fora do papel", diz advogada sobre políticas contra feminicídio
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#MetaAColher: “Não temos amparo do Estado fora do papel", diz advogada sobre políticas contra feminicídio
Advogada Tais da Hora demonstrou ainda preocupação com o aumento real do número de casos de feminicídio

Foto: Reprodução
Em entrevista à Rádio Metropole, a advogada Tais da Hora, que atua na área de crimes contra a mulher e crimes sexuais, enfatizou a falta de eficiência de amparo à mulher que quer denunciar que sofre uma agressão. Tais conversou com Mário Kertész na tarde desta quarta-feira (8).
"Observando o Estado e como ele se movimenta para tutelar essa mulher que comunica que sofre a violência doméstica, se encontra grande dificuldade. Por exemplo, uma mulher que sofre violência no bairro da Ribeira e vai registrar ocorrência na delegacia especializada de Brotas, ela não vai conseguir. A orientação é que ela vá até a delegacia de Periperi (há apenas essas duas em Salvador), por uma questão de territorialidade", aponta.
Tais explica que uma mulher que sofre violência doméstica pode registrar seu depoimento em qualquer delegacia, segundo a legislação. "Mas no mundo prático, muitas são direcionadas para outra delegacia. Imagine questões de locomoção e horário - essas delegacias funcionam de segunda a sexta, sendo que sabemos que a maioria das agressões ocorre nos finais de semana, à noite). Mulheres transexuais, por exemplo, já não podem ir à delegacia de atenção à mulher. Há muitas dificuldades práticas neste ponto de vista", argumenta.
A advogada demonstrou ainda preocupação com o aumento real do número de casos de feminicídio.
"Falar de proteção à mulher para o Brasil, para o Estado, é caro. O feminicídio começou a ser inserido nos ordenamentos jurídicos pelo mundo afora, principalmente na Costa Rica em 2007, mas aqui no Brasil ele só foi inserido em 2015. Nós falamos muito sobre os números estarem aumentando, mas a gente não tem noção ainda da realidade dessas mulheres que são mortas diariamente. Porque ainda consta como homicídio, morte não identificada... Muitas ainda são mortas pelos seus companheiros e ex-companheiros e ainda ocupam o lugar de suicidas, acidente doméstico, justamente porque não temos um amparo do Estado fora do papel", diz.
Campanha - O Grupo Metropole está engajado em denunciar e cobrar respostas sobre casos de feminicídio e violência contra a mulher. Além disso, vamos receber denúncias pelo número (71) 3505-5000, tanto por ligação como por Whatsapp. Por fim, nas redes sociais (@grupo.metropole no Instagram e @metropole no Twitter), criamos o movimento #MetaAColher. É preciso dar um basta nos casos de violência contra a mulher e estamos engajados nesta causa.
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