Política

Félix Mendonça Jr tem feito o dirigente do PDT colecionar inimigos

Se há alguém que não é unanimidade na política baiana, é o deputado federal e presidente do PDT na Bahia, Félix Mendonça Jr. Considerado por adversários e até por aliados como intransigente, egocêntrico, brigão e de temperamento difícil, o filho do ex-deputado federal Félix Mendonça vem se especializando em colecionar inimigos desde que assumiu a presidência do PDT, no fim de 2013. [Leia mais...]

[Félix Mendonça Jr tem feito o dirigente do PDT colecionar inimigos]
Foto : Agência Câmara

Por Matheus Morais no dia 21 de Fevereiro de 2016 ⋅ 15:00

Se há alguém que não é unanimidade na política baiana, é o deputado federal e presidente do PDT na Bahia, Félix Mendonça Jr. Considerado por adversários e até por aliados como intransigente, egocêntrico, brigão e de temperamento difícil, o filho do ex-deputado federal Félix Mendonça vem se especializando em colecionar inimigos desde que assumiu a presidência do PDT, no fim de 2013. 

Primeiro, conseguiu irritar o governador Rui Costa (PT) mantendo uma dupla aliança com o petista e com o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). “Acendeu uma vela para Deus e outra para o diabo. Deu um tiro no pé”, disse um ex-aliado que não quis se identificar.  Na prefeitura, mantinha a irmã, Andrea Mendonça, à frente da pasta de Desenvolvimento, Trabalho e Emprego (Sedes), e tentou emplacar no governo a prima, Fernanda Mendonça, comandando a Secretaria estadual de Agricultura (Seagri). 

Querendo exclusividade na parceria, o governador tratou de romper a aliança com o PDT ‘oficial’, demitindo Fernanda e mantendo o apoio ao Executivo por sua bancada na Assembleia Legislativa e por secretários pedetistas não alinhados às ideias de Félix. O presidente estadual do PDT ainda comprou uma briga daquelas com o presidente da Assembleia, Marcelo Nilo, que preferiu sair do PDT, e também brigou com seu antecessor no comando do partido, Alexandre Brust.

Briga com Marcelo Nilo fez o presidente da assembleia procurar outro partido

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo, não faz mais questão de esconder que o presidente do PDT no estado, Félix Mendonça Jr., é o seu grande desafeto político, junto com o também deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB). Os dois romperam definitivamente durante a disputa pelo comando da sigla na Bahia, em 2015, quando trocaram diversas farpas pela imprensa e quase chegaram às vias de fato durante uma reunião na sede do partido. 

Nilo afirmou recentemente, em entrevista à Metrópole, que Félix o está processando. “Tenho dois inimigos políticos muito fortes e não quero um terceiro. Eu disse uma coisa na época: que a irmã dele era a secretária mais incompetente da Bahia. Não ofendi em nada. Disse o que eu pensava e virou processo”, declarou.
Em outra oportunidade, Nilo ressaltou o estilo brigão e intransigente de Félix: “Ele é filhinho de papai. Ele foi eleito a primeira vez, mas os eleitores deixaram ele. Ele não consegue ter uma reunião com o executivo, briga”, disse.

Vice de Neto e o sonho impossível

O Jornal da Metrópole ouviu alguns aliados e ex-aliados de Félix Jr., que preferiram não se identificar, e eles revelaram que o mandachuva do PDT estadual ainda mantém o sonho – mesmo que bastante remoto – de ser o candidato a vice-prefeito na chapa da reeleição à Prefeitura de Salvador, encabeçada por ACM Neto. “Ele quer ser vice, mas no fundo sabe que não vai ser”, disse um deles.

“Pensa que é o dono da bola”, critica BRUST

Já o presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) e ex-presidente do PDT na Bahia, Alexandre Brust, afirmou que entregou o cargo de secretário-geral do partido no estado por não concordar com as ações do atual presidente da legenda. 
“Há mais de um ano eu vinha alertando ao presidente Carlos Lupi que eu estava discordando da administração do partido na Bahia. Ele [Félix] não ouve ninguém, pensa que é o dono da bola, então, ele que jogue com a bola dele. Em novembro do ano passado, passei um email para Lupi e me desliguei”, contou. 
“Perdemos Marcelo Nilo e vamos perder vários outros companheiros. Nós chegamos a ser um partido respeitado na Bahia, com três deputados federais, cinco estaduais e 42 prefeitos, quando eu era presidente do partido”, criticou.

Irmã e salário de R$ 24 mil 

A boa relação de Félix com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, garantiu mais uma boquinha para a irmã do deputado federal, Andrea Mendonça. Ele indicou e conseguiu emplacar a ex-vereadora de Salvador como uma das vice-presidentes dos Correios, em Brasília. Andrea tomou posse no final do ano e recebe um salário mensal de cerca de R$ 24 mil. Os nomes dos principais indicados para a nova cúpula da empresa são ligados ao PDT. O novo presidente do órgão, Giovanni Queiroz, que era deputado federal, foi indicado por Lupi e nomeado pela presidente Dilma Rousseff em novembro. Andrea, que comandava a Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Emprego (Sedes) da Prefeitura de Salvador, foi substituída pelo ex-deputado Severiano Alves, nome de confiança de Félix Jr.

 

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