Política

Moro defende condução de Lula, mas diz que 'não antecipa culpa' de ex-presidente

Responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, o juiz federal Sérgio Moro divulgou uma nota oficial neste sábado (5) em que defende a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorrida na última sexta-feira (4). [Leia mais...]

[Moro defende condução de Lula, mas diz que 'não antecipa culpa' de ex-presidente]
Foto : Fábio Rodrigues Possebom/ABr

Por Matheus Simoni no dia 05 de Março de 2016 ⋅ 13:30

Responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, o juiz federal Sérgio Moro divulgou uma nota oficial neste sábado (5) em que defende a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorrida na última sexta-feira (4). Ele também lamentou que as diligências autorizadas por ele tenham gerado agressões em manifestações políticas "inflamadas, com agressões a inocentes, exatamente o que se pretendia evitar".

Para Moro, a medida não significa uma "antecipação de culpa". Após a deflagração da 24ª fase da Lava Jato, na última sexta-feira, Moro foi duramente criticado por Lula, militantes do PT e até pelo ministro do Supremo Tribunal Federal(STF) Marco Aurélio Mello. "Como consignado na decisão, essas medidas investigatórias visam apenas o esclarecimento da verdade e não significam antecipação de culpa do ex-presidente. Cuidados foram tomados para preservar, durante a diligência, a imagem do ex-presidente", afirmou o magistrado.

Confira a nota na íntegra:

A pedido do Ministério Público Federal, este juiz autorizou a realização de buscas e apreensões e condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento. Como consignado na decisão, essas medidas investigatórias visam apenas o esclarecimento da verdade e não significam antecipação de culpa do ex-presidente. Cuidados foram tomados para preservar, durante a diligência, a imagem do ex-presidente.

Lamenta-se que as diligências tenham levado a pontuais confrontos em manifestações políticas inflamadas, com agressões a inocentes, exatamente o que se pretendia evitar. Repudia este julgador, sem prejuízo da liberdade de expressão e de manifestação política, atos de violência de qualquer natureza, origem e direcionamento, bem como a incitação à prática de violência, ofensas ou ameaças a quem quer que seja, a investigados, a partidos políticos, a instituições constituídas ou a qualquer pessoa. A democracia em uma sociedade livre reclama tolerância em relação a opiniões divergentes, respeito à lei e às instituições constituídas e compreensão em relação ao outro.

Curitiba, 5 de  março de 2016.

SERGIO FERNANDO MORO
Juiz Federal

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