Política

“Nem que seja a última coisa que eu faça na vida, vou ajudar Dilma”, diz Lula

Num discurso inflamado na quarta-feira (23), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende ajudar a presidente Dilma Rousseff em seu governo, mesmo que não seja ministro. [Leia mais...]

[“Nem que seja a última coisa que eu faça na vida, vou ajudar Dilma”, diz Lula]
Foto : Agência Brasil

Por Matheus Morais no dia 24 de Março de 2016 ⋅ 07:13

Num discurso inflamado na quarta-feira (23), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende ajudar a presidente Dilma Rousseff em seu governo, mesmo que não seja ministro. Segundo o petista, é preciso defender a democracia no país e evitar o que ele chamou de golpe contra o atual governo.

“Nem que seja a última coisa que eu faça na vida, vou ajudar a Dilma a governar esse país com a decência que o povo merece”, disse o ex-presidente em evento organizado pelas centrais sindicais na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, centro de São Paulo. O evento, segundo as entidades, foi convocado para defender “a democracia e o Estado de Direito” e contra o processo de impeachment da presidenta Dilma.

Sobre o convite para integrar o governo Dilma, Lula disse que foi chamado pela primeira vez em agosto do ano passado, mas recusou. Com o agravamento da crise, Dilma insistiu e ele resolveu aceitar.

Durante o discurso, o ex-presidente também disse que a questão econômica será resolvida, mas que é preciso lutar o mais rápido possível contra o que ele chamou de golpe contra o governo Dilma. “É golpe. Não tem outra palavra. Esse país não pode aceitar o golpe. A economia a gente resolve amanhã, mas evitar o golpe é hoje”. Segundo ele, a crise que o país enfrenta hoje será resolvida com a ajuda do povo. “Este país é tão extraordinário, com um povo tão extraordinário que quem pode ajudar a resolver a crise desse país é o povo.”

Lula disse que o Brasil vive o período mais longo de democracia contínua e comparou a crise política atual a momentos da história como o golpe contra o governo de Getúlio Vargas e as tentativas de impedir a candidatura de Juscelino Kubitschek.

O ex-presidente defendeu Dilma e disse que não há razões que justifiquem o impeachment da presidenta. “Não existe nenhuma razão para o impeachment. Se juntarem 800 juristas verão que não há nenhuma razão, nenhum fato”. Para Lula, as pessoas estão sendo condenadas “pelas manchetes de jornais antes de serem julgadas”.

“Se eles quiserem ir para a presidência, que esperem 2018. Eu esperei. Não queiram fazer o golpe na Dilma que não vamos facilitar”, disse.

Com a voz bastante rouca e falha, Lula foi bastante aplaudido e teve o discurso interrompido diversas vezes por gritos de “Não vai ter golpe” da plateia. O petista fez críticas à operação Lava Jato e disse que a investigação provoca prejuízos financeiros ao país.

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