Política

"Quero ver onde vão embasar razões para eu ser alvo da Lava Jato", diz Dilma

Em entrevista ao programa Conexão Repórter, do SBT, na madrugada de segunda-feira (22), a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) afirmou que o presidente interino, Michel Temer (PMDB), está se esforçando para antecipar a votação do impeachment porque temem o surgimento de denúncias que os comprometam. [Leia mais...]

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Foto : Wilson Dias/Agência Brasil

Por Matheus Morais no dia 22 de Agosto de 2016 ⋅ 07:25

Em entrevista ao programa Conexão Repórter, do SBT, na madrugada de segunda-feira (22), a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) afirmou que o presidente interino, Michel Temer (PMDB), está se esforçando para antecipar a votação do impeachment porque temem o surgimento de denúncias que os comprometam. "Por que eles tem tanto interesse em antecipar, em dias, o impeachment? Para mim, eles têm medo de uma delação que mostre claramente qual é o grau de comprometimento de quem meu julgamento beneficia: o governo interino, provisório e ilegítimo", ressaltou Dilma. 

Na oportunidade, Dilma destacou que não sabia do esquema de corrupção da Petrobras e que não tem medo de ser condenada. "Se tiver de ser alvo da Lava Jato, com razões embasadas, eu serei. Agora, quero ver onde vão embasar razões para eu ser alvo da Lava Jato. (Sobre temor de condenação). Nenhum, eu sei o que eu fiz", disse a petista. 

"Meu governo não esteve associado à corrupção, até porque eu não estou associada à corrupção. Nunca tive conta rejeitada, a não ser agora, porque eles querem fazer o processo de impeachment", declarou, mencionando a reprovação de suas contas pelo TCU (Tribunal de Contas da União), fato embrionário do processo de impeachment.

Ainda segundo Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não cometeu crimes e não será preso. Classificou essa possibilidade como "uma temeridade" e "um equívoco". A presidente afastada voltou a afirmar que não sabia do esquema de corrupção da Petrobras e, questionada, disse não ter medo "nenhum" de uma eventual condenação.
 
"Se tiver de ser alvo da Lava Jato, com razões embasadas, eu serei. Agora, quero ver onde vão embasar razões para eu ser alvo da Lava Jato. (Sobre temor de condenação). Nenhum, eu sei o que eu fiz", justificou. "Meu governo não esteve associado à corrupção, até porque eu não testou associada à corrupção. Nunca tive conta rejeitada, a não ser agora, porque eles querem fazer o processo de impeachment", complementou, fazendo menção a reprovação de suas contas pelo TCU (Tribunal de Contas da União), fato embrionário do processo de impeachment.

Dilma nega Caixa 2


Dilma considera ainda que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não cometeu crimes e não será preso. Classificou essa possibilidade como "uma temeridade" e "um equívoco". "Acho uma temeridade prenderem o presidente Lula, principalmente porque tenho certeza de que ele é absolutamente inocente das coisas de que é acusado. Acho que ele não será preso, acho que eles não cometerão esse equívoco", opinou. "Eu acho que não sou refém das empreiteiras. Os próprios empreiteiros sabem disso. Nenhum pode chegar e dizer que me deu qualquer contribuição. Podem falar que deu para minha campanha. Agora, para mim? Ninguém deu contribuição nenhuma", completou. 

A petista negou ainda que tenha recebido pagamento de caixa 2, confessado pelo marqueteiro de suas campanhas, João Santana. "Ele confessou, é responsabilidade dele. Eu não reconheço, eu não paguei. Primeiro, tem que investigar e ver se pagou; quem pagou e como pagou. Não tenho certeza se ele mentiu ou se falou a verdade. Não vou assumir responsabilidade do que eu não sei, não controlo e não sei como foi feito", disse.
 
Como em outras ocasiões, a presidente afastada reconheceu "vários" erros e citou a aliança com Temer e a dificuldade em reagir à crise econômica. "Erros? Vários. Não perceber que ia ser traída como fui. Achei que era possível fazer um ajuste rápido para sair da crise. São muitos os meus erros, mas também são muitos os meus acertos, como qualquer ser humano", analisou. O Senado iniciará a etapa final do processo de impeachment na quinta (25). A expectativa é de que o resultado saia entre os dias 30 e 31.

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