Política

Malu Fontes: "Deus do céu! O que é isso que o Brasil está assistindo?"

No dia da votação da admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, em abril deste ano, a população brasileira, mesmo aquela parcela minimamente interessada em política, foi dormir assombrada com o que considerou como sendo baixíssimo nível dos parlamentares. [Leia mais...]

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Foto : Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Malu Fontes no dia 26 de Agosto de 2016 ⋅ 20:20

No dia da votação da admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, em abril deste ano, a população brasileira, mesmo aquela parcela minimamente interessada em política, foi dormir assombrada com o que considerou como sendo baixíssimo nível dos parlamentares.

Embora o Parlamento seja o retrato do que é o país, mesmo porque todos aqueles parlamentares homens e mulheres foram eleitos pelos cidadãos brasileiros de todas as regiões, todos os estados, das grandes metrópoles aos rincões mais isolados do país, a população sempre se assusta quando ouve e vê seus representantes com um pouquinho mais de atenção.

Por mais que pareça óbvio, ou seja, repetir que 'cada país tem o congresso ou a representação política que pode e merece', é sempre interessante repetir sim. Pois quando as pessoas falam em política, quase sempre se referem à Brasília como se a cidade e o Congresso Nacional fossem lugares de onde surgem, espontaneamente, escrocs e corruptos, como se fossem geração espontânea. Quando na verdade o que acontece é: todos esses homens e mulheres que estão lá foram enviados por todos os brasileiros e estão lá portanto chancelados e legitimados pelo voto dos milhões de eleitores Brasil afora.

Mas voltando o impeachment. Depois daquela sessão pavorosa em que o Brasil viu os seus próprios intestinos revirados através dos discursos xinfrins da maioria dos deputados que se manifestaram encaminhando seus votos contra ou a favor do impeachment, sempre que se voltava ao assunto, acabava-se com com a presunção de que, no Senado, quando de fato fosse ser julgado a decisão final sobre a presidente Dilma o nível dos debates e dos encaminhamentos dos votos seria um pouquinho melhor, partindo de um pressuposto de que, no Senado, haveria um debate, digamos assim, mais qualificado.

No entanto, com abertura dos trabalhos no Senado, em sessões presididas agora pelo ministro do Supremo, Ricardo Lewandowski: Deuses do céu! O que é isso que o Brasil tá assistindo? A briga de foice verbal nesses dois dias entre os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Lindbergh Farias (PT-RJ) e entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-RS), só pra citar dois exemplos, está deixando no chinelo a pobreza vocabular dos deputados vista e ouvida lá em abril.

Diante do país, afinal, todo mundo ali sabe que está atuando para a plateia, representada ao vivo pela TV Senado e pelas emissoras de TV de sinal fechado, um senador acha coisa mais natural do mundo aponta o dedo para um colega chamá-lo de "cheirador de cocaína". No segundo dia, o próximo presidente da casa, Calheiros, embora em palavras mas empoladinhas, ficou emputecido com Gleisi Hoffmann e não pensou duas vezes: lançou sobre a senadora uma voadora verbal do tipo: 'você quer ser boa, quer falar de moral, mas fui eu que livrei sua cara das garras da Justiça na semana passada'. Praticamente isso, só que em outros termos.

Com o Congresso Nacional assim, os programas populares de TV vão perder logo logo a audiência, pois o povo vai descobrir que telequete verbal e até físico dos melhores tem mesmo é na TV Câmara e na TV Senado.

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