Política

Dilma lembra ditadura e diz que “não vai ceder”: "Quem acredita, luta"

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) discursa neste momento no Senado contra o processo de impeachment contra ela que será julgado na Casa. Emocionada, Dilma lembrou o que classificou como “terror da ditadura” e disse que não vai ceder a mais esse “desafio” [leia mais...]

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Foto : Lula Marques/AGPT

Por Bárbara Silveira e Gabriel Nascimento no dia 29 de Agosto de 2016 ⋅ 10:21

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) discursa neste momento no Senado sobre o processo de impeachment contra ela que será julgado na Casa. 
Emocionada, Dilma lembrou o que classificou como “terror da ditadura” e disse que não vai ceder a mais esse “desafio”. “Não traio os que lutam ao meu lado. Na luta contra a ditadura recebi as marcas, amarguei minha prisão, vi companheiros sendo violentados e até assassinados. Na época, era muito jovem, tinha muito a esperar da vida, tinha medo da morte, da sequela da tortura, mas não cedi. Resisti a tempestade de terror que começava a me engolir. Na escuridão dos tempos amargos. Não mudei de lado, apesar de receber o peso da injustiça, continuei lutando pela democracia. Dediquei todos os anos da minha vida a luta por uma sociedade sem ódios e intolerâncias, livre de preconceitos. Uma sociedade sem miséria. Um Brasil soberano, mais igual e com justiça. Disso tenho orgulho. Quem acredita, luta. Aos quase 70 anos de idade, não seria agora, após ser mãe e avó, que abdicaria dos princípios que me guiaram. Tenho honrado meu compromisso com o país, tenho sido intransigente na defesa da honestidade na defesa da coisa pública. Diante das acusações, não posso deixar de sentir na boca novamente o gosto áspero da injusta. Como no passado, resisto. Não esperem de mim, o obsequioso silêncio dos covardes”, disse.

A presidente ressaltou que, no passado, os que orquestraram a ditadura militar lutavam com armas e agora, os que tentar tira-la do poder usam a “retórica jurídica”. “Querem atentar contra a democracia. Se alguns rasgam ser passado e negociam seu presente que responda pela sua consciência. A mim, cabe lamentar o que foram e o que se tornaram. E resistir sempre. Resistir para acordar as consciências adormecidas para fincar o pé no lado certo da história, mesmo que o chão trema e ameace nos engolir. Não luto por vaidade, luto pela democracia, pela verdade e pela justiça, luto pelo povo do meu país. Muitos me perguntam de onde vem minha energia. Vem do que acredito. Posso olhar pra trás e ver tudo que fizemos, olhar pra frente e ver o que precisamos e podemos fazer. Posso olhar pra mim mesmo e ver a face de alguém que mesmo marcada pelo tempo tem força pra defender suas ideias e direitos. Serei julgada, mais uma vez na vida. Por ter minha consciência tranquila em relação ao que eu fiz que venho, pessoalmente, a presença dos que me julgarão pra olhar diretamente nos olhos de vocês e dizer, com serenidade, que não cometi nenhum crime de nenhuma responsabilidade. Sou acusada injustamente. Hoje, o Brasil, o mundo e a história nos observam e aguardam o desfecho do processo”, pontuou.

Dilma lembrou ainda ex-presidentes como Getúlio Vargas. “Vargas sofreu uma implacável perseguição. O presidente JK que construiu essa cidade foi vítima de constantes e fracassadas tentativas de golpe. João Goulart, defensor da democracia, superou o golpe do parlamentarismo, mas foi deposto, e instaurou-se a ditadura. Durante 20 anos vivemos o silencio imposto. A democracia foi varrida. Milhões lutaram e conquistaram direito as eleições diretas”, completou. 

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