Política

Dilma diz que Cunha teve relação "pouco republicana" com pessoas do Judiciário

Em resposta a uma pergunta da senadora Lídice Da Mata (PSB-BA) durante o julgamento no processo de impeachment no Senado, a presidente afastada, Dilma Rousseff, comentou a relação do ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) com pessoas da mídia e do Poder Judiciário. Segundo a petista, as ligações entre eles eram "pouco republicanas". [Leia mais...]

[Imagem not found]
Foto : José Cruz/Agência Brasil

Por Matheus Simoni no dia 29 de Agosto de 2016 ⋅ 15:36

Em resposta a uma pergunta da senadora Lídice Da Mata (PSB-BA) durante o julgamento no processo de impeachment no Senado, a presidente afastada, Dilma Rousseff, comentou a relação do ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) com pessoas da mídia e do Poder Judiciário. Segundo a petista, as ligações entre eles eram "pouco republicanas".

"Quais as contribuições que tiveram as ações de Eduardo Cunha, até hoje não-caçado, e sua base parlamentar sobre as chamadas Pautas-Bomba?", questionou a senadora baiana. "A contribuição foi a mais danosa possível, senadora. Era porque vinha sendo a mais danosa quando tentamos aprovar em 2014 a Lei dos Portos com todas as dificuldades possíveis. Eles não queriam a aprovação sem a contemplação sem alguns interesses estranhos", disse Dilma.

"Se houve a aprovação, foi culpa do Senado, onde o presidente do Senado, Renan Calheiros teve um papel decisivo. Muito se tem dito, tanto pela imprensa, onde vários jornalistas, que não primam por apoiar o meu governo, e pessoas do sistema judiciário com que Eduardo Cunha tinha uma relação não muito republicana. Meu governo tinha propostas que implicavam na melhoria no uso dos nossos gastos. Houve uma redução na desoneração que tivemos. Tivemos um esforço e um corte fiscal de R$ 130 bilhões. Mas faltou, onde era um corte de despesa. Todos os países usam o aumento da arrecadação. Não houve um que não adotasse o aumento de arrecadação ou de dívida. O deputado Eduardo Cunha promoveu um grande rombo na nossa capacidade de superação da crise", declarou a presidente.

Ainda segundo ela, houve um severo boicote ao governo durante o seu mandato. "Além disso, outra situação emergiu quando a Câmara não funcionou e não houve aprovação de nenhuma medida até dois dias antes da minha saída. Se isso não é um dos maiores boicotes ao meu governo, eu não sei o que é", disse Dilma.

"Nos esforçamos para manter os programas sociais. Tínhamos a atitude de revisar os projetos. Em momento algum propusemos cortes de 20 anos na saúde e na educação. É uma temeridade para o povo jovem brasileiro. Tudo isso vai provocar uma decadência muito grave para a educação", afirmou, se referindo a uma série de medidas adotadas pelo governo interino de Michel Temer.

Notícias relacionadas