Política

Destituição de Dilma representa novo impacto em três décadas de democracia

31 de agosto de 2016. Após um ano e sete meses de segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff (PT), eleita com 54,5 milhões de votos em 2014, foi retirada do cargo como consequência de um processo de impeachment que tramitava há nove meses [Leia mais...]

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Foto : Pedro França/ Agência Senado

Por Bárbara Silveira no dia 01 de Setembro de 2016 ⋅ 06:15

31 de agosto de 2016. Após um ano e sete meses de segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff (PT), eleita com 54,5 milhões de votos em 2014, foi retirada do cargo como consequência de um processo de impeachment que tramitava há nove meses. Dos 81 senadores, 61 consideraram que a petista cometeu crimes de responsabilidade por conta das chamadas pedaladas fiscais e pela edição de decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso. 

Se na posse do primeiro mandato, em 2011, Dilma citou um trecho de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa — “O que a vida quer da gente é coragem” —, a petista se despediu do cargo recorrendo a um poema do russo Maiakovski que diz que “as ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las”. 

“Golpista é quem quer violar a Constituição”
Após tomar posse, o presidente Michel Temer rebateu a principal argumentação de Dilma Rousseff que o seu governo é fruto de um “golpe de estado”. “Golpista é você, que está contra a Constituição. Golpista é quem quer violar a Constituição Federal”, disse, durante a primeira reunião oficial com os ministros do seu governo. 

Em um tom mais agressivo, Temer disse que foi, até então, de uma “discrição absoluta”, mas que agora não levará ofensa para casa. “As coisas se definiram, e é preciso muita firmeza”, afirmou o peemedebista.

“Haverá a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer”
Garantindo que vai recorrer “em todas as instâncias possíveis” contra o que chamou de “fraude”, Dilma afirmou que sua saída não será encerrada com uma despedida e prometeu um “até breve”. Apesar de ter deixado o cargo, a ex-presidente manteve o direito de ocupar cargos públicos. “O golpe é contra o povo e contra a nação. É misógino. É homofóbico. É racista. Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer”, disse. 

Promessa de “não desprezar” partidos
Em discurso aos ministros, Temer reiterou a necessidade de medidas como a Reforma da Previdência e pediu uma melhor divulgação de propostas do governo — novamente alfinetando sua antecessora. “Não é um partido que está no poder e que despreza os demais. Ao contrário”, falou.

Ele também afirmou que a geração de empregos é a principal meta de seu governo. “Nós temos essa margem enorme de desempregados. Quase 12 milhões. É uma cifra assustadora”, declarou.

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