Política

Tribuna da Bahia completa 47 anos e Joaci Góes relembra história do jornal

No dia que o Tribuna da Bahia completa 47 anos de fundação, o jornalista e comentarista da Rádio Metrópole, Joaci Góes, relembrou a história do jornal e destacou a importância das coberturas políticas. Durante entrevista a Mário Kertész, nesta sexta-feira (21), Joaci falou da passagem dele na empresa até a chegada do atual presidente Walter Pinheiro. [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Camila Tíssia e Matheus Morais no dia 21 de Outubro de 2016 ⋅ 08:21

No dia que o Tribuna da Bahia completa 47 anos de fundação, o jornalista e comentarista da Rádio Metrópole, Joaci Góes, relembrou a história do jornal e destacou a importância das coberturas políticas. Durante entrevista a Mário Kertész, nesta sexta-feira (21), Joaci falou da passagem dele na empresa até a chegada do atual presidente Walter Pinheiro.

"Eu reuni Walter Pinheiro e entreguei a ele sem cobrar um centavo. A Tribuna da Bahia foi entregue sem nenhuma dívida. Fico alegre em ver a Tribuna completar 47 anos e ouvir as pessoas dizerem que esse é o melhor órgão diário da Bahia", disse. 

Segundo o jornalista, era "complicado" sofrer ação conjunta da ditadura em um ambiente dominado por Antônio Carlos Magalhães - ACM - o então prefeito de Salvador.

"Você poderia atacar o sistema, ele poderia lhe proteger, nós mantínhamos os jornalistas perseguidos pela ditadura. Você [MK] morava no Rio de Janeiro, naquele tempo sofrer uma restrição, os concorrentes iam em cima. Eu queria dar um sinal ao general que a presença dele não ia me intimidar, por isso fui com camisa esporte, nós vivemos numa ditadura. O senhor é a maior autoridade acima do governador e eu sou um simples cidadão, apesar disso, vamos conversar na igualdade. Conversamos, eu expus os fatos, ele estava com um cigarro nas mãos. Ele me disse, o senhor não sabe, mas sou um fumante, para não perder uma palavra eu não me curvei para apanhar. Eu escutei o senhor por 55 minutos. Ele me disse, eu não tenho ainda pessoal contra o senhor, mas o senhor prestigia nossos inimigos e o senhor está em outra trincheira que a minha. Eu quero dizer ao senhor que vou continuar prestigiando essas pessoas". 

Joaci falou também que citou o episódio para dizer que "quem age assim na ditadura tem coragem". "Portanto quando veio o problema com ACM, eu acredito numa coisa, Bill Gates não é mais rico que você. Nada paga o preço de você ser essa figura carinhosa com seus amigos. Eu dou graças a Deus por ser seu amigo. O que ACM queria era ficar com o editorial da Tribuna da Bahia. Em 1962 eu estava engajado para ser você [MK] o candidato ao governo do estado, mas foi Clériston Andrade o candidato. Naquele momento a Tribuna entrou de cabeça, Elian Kertész ainda é a vereadora mais votada do Brasil. Ela teve mais votos para vereadora do que João Durval Carneiro em Salvador. No auge da briga com  ACM eu fui no réveillon do Le Méridien [atual Pestana]. As pessoas que estavam em todas mesas deixaram as mesas, ACM chegaria e eles não queriam ficar perto de mim. Em 1986, quando nós ganhamos as eleições, os empresários que me desprezavam me prestaram uma homenagem", pontuou. 

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