Política

Mensalão: Jefferson classifica esquema como "locação de mão de obra política"

Delator do mensalão, o atual presidente nacional do PTB Roberto Jefferson foi entrevistado por Mário Kértesz, na Rádio Metrópole, na manhã desta segunda-feira (7), e voltou a falar sobre o escândalo que explodiu na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). [Leia mais...]

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Foto : Agência Brasil

Por Gabriel Nascimento no dia 07 de Novembro de 2016 ⋅ 11:00

Delator do mensalão, o atual presidente nacional do PTB Roberto Jefferson foi entrevistado por Mário Kértesz, na Rádio Metrópole, na manhã desta segunda-feira (7), e voltou a falar sobre o escândalo que explodiu na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O esquema, composto por grandes nomes da legenda como o do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o do ex-presidente do PT José Genoíno e o do ex-tesoureiro Delúbio Soares, dava dinheiro para parlamentares na tentativa de garantir apoio ao governo de Lula no Congresso em 2003 e 2004.

Jefferson classificou o esquema como "locação de mão de obra política", que fazia parte de algo "ideológico", além de garantir que Lula sempre liderou a equipe. "[Lula] queria uma aliança com os partidos pequenos. O Zé Dirceu defendia com o PMDB indo diretamente no início do governo. Lula disse que era um preço muito alto. 'O PMDB vai cobrar um preço muito alto, cobram muito caro. Vamos fazer isso com os partidos menores', foi quando fizeram com o PR, PRB, PTB... com partidos menores. Essa estrutura do mensalão pra fazer base de estrutura de votos na Câmara e no Senado. Lula presidiu isso, no início ele não permitiu o PMDB. Depois do mensalão, houve um enfraquecimento dos bases partidárias, ele se viu ameaçado com um pedido de impeachment, ele caminhou no sentido de levar pra dentro da base", afirmou.

Ao tomar conhecimento sobre o caso, o petebista disse ter alertado o ex-presidente, já que acreditava em sua "moral inquestionável". "Eu fui a ele e disse: 'Tá havendo uma coisa que preciso lhe revelar'. Eu achava que ele não era capaz disso, tinha uma imagem de um Lula correto, um operário. Eu estava enfrentando uma luta interna dentro do partido, um partido de direita como o PT, o PR naquela época. Eles estavam se aproximando do PTB e tirando nossos deputados pagando mensalão. Não permiti o mensalão no PTB. Nosso erro foi aquela aliança eleitoral na eleição de prefeito de capitais, que o PTB fez um grande acordo, de apoiar o PT entregando tempo de rádio e televisão pra receber um financiamento pra no interior do Brasil financiar os candidatos. Foi meu erro no passado", declarou.

"O partido dele agia como um grupo de assalto"

"Esses pacotes de dinheiro que faziam R$ 30, 40, 50 mil por parlamentar, não permiti que isso houvesse no PTB. Aí eles começaram a tirar esses parlamentares do PTB. Eu avisei isso a Lula, 'isso vai dar problema, se tirar mais um do PTB eu vou pra tribuna contar o que está acontecendo'. Ele se mostrou indignado, surpreso, tanto que foi depois fez um comunicado se dizendo traído por dentro do PT, afastou o Zé Dirceu, falou isso muito tenso, com a boca seca... Eu achava que ele tinha realmente sido traído. Eu achava que esse esquema era Genoíno, Delúbio, e Zé Dirceu, não imaginava que chegava a presidencia da república", acrescentou.

Jefferson lamentou ter permitido aliança do PTB com o PT a época. "Foi muito ruim. Hoje, com a consciência que eu tenho, não permitiria em hipótese nenhuma uma aliança com o PT ou com esses grupos ideológicos que querem montar uma forma de poder permanente. No PTB não permitiremos mais, ficou no passado. Foi um erro grave, pagamos nossa culpa, mas não foi fácil. Foi um grave erro de todos", finalizou.

 

 

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