Política

Intelectuais brasileiros ‘não sabem o que é ser de esquerda’, diz Joaci Góes

"[Há] professores acovardados, tendo que dizer '‘amém’' a posturas criminosas”, afirma escritor

[Intelectuais brasileiros ‘não sabem o que é ser de esquerda’, diz Joaci Góes]
Foto :Bárbara Silveira/Metropress

Por Rodrigo Daniel Silva/Gabriel Nascimento no dia 27 de Setembro de 2018 ⋅ 12:20

Ao condenar o “patrulhamento ideológico” nas universidades, o advogado e escritor Joaci Goés disse, em entrevista à Rádio Metrópole, que os intelectuais brasileiros “não sabem o que é ser de esquerda”. 

"[Há] professores acovardados, tendo que dizer '‘amém’' a posturas criminosas. Há um charme em dizer que é de esquerda. No debate que fiz na ABI, pedi para chamar os 10 dos melhores quadros da Ufba para mostrar que a maioria não sabe o que é ser de esquerda. Os intelectuais brasileiros não sabem o que é ser de esquerda. Pensam que achar que valorizar empresas estatais e ser contra privatização é uma atitude de esquerda. Não é, é de direita reacionária. Acham que Lula e Dilma são de esquerda. Meu Deus!", disse. 

Para o escritor, a “Era petista” foi marcada por atos “reacionários, antipovo”, que favoreceram grupos econômicos.

Autor do “Como Governar um Estado: O Caso da Bahia”, Joaci ressaltou a relevância dos investimentos na Educação para o desenvolvimento do estado.

“No caso da Bahia, eu diria, que a queda se deu na proporção em que os governantes perderam a perspectiva do significado de Educação. Tanto que hoje, desgraçadamente, [o estado] está em último lugar no ensino fundamental básico. O resultado é o estado mais violento do país. Essa infraestrutura emocional, social, educação, saúde e segurança pública vão de mal a pior. Quando o povo é educado, a saúde necessariamente passa a ir melhor”, pontuou.

Na avaliação dele, o Sindicato dos Professores da Bahia, a APLB, está entre os “mais atrasados”.  “Fazem do sindicato um instrumento de política partidária, não dá certo. Nunca deu em canto nenhum do mundo e não vai dar na Bahia”, pontuou, sobre o fato de a instituição ser comandada há décadas pelo PCdoB.

O advogado defendeu ainda a extinção da gratuidade, para quem pode pagar, na universidade pública. “A universidade brasileira, pela sua gratuidade, acabou beneficiando pessoas que tinham condições de pagar. Passou a funcionar como o mais poderoso instrumento de aprofundamento das desigualdades, porque só ficou acessível ao cidadão que tinha uma escola secundária de qualidade”, analisou.

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