Política

‘Bolsonaro encarnou símbolo do antissistema, mas é integrante do sistema’, diz cientista

Eleição será entre candidatos “contra a exploração e contra o sistema político”, analisa Alberto Carlos Almeida 

[‘Bolsonaro encarnou símbolo do antissistema, mas é integrante do sistema’, diz cientista]
Foto : Divulgação / Instituto Millenium

Por Rodrigo Daniel Silva/Gabriel Nascimento no dia 05 de Outubro de 2018 ⋅ 09:07

O cientista político Alberto Carlos Almeida entende que há uma divisão de classe “forte” no Brasil, entre os eleitores – quem tem mais poder aquisitivo, ao lado de Jair Bolsonaro (PSL), contra os de menor renda, com Fernando Haddad (PT). 

“O eleitorado que seria do Alckmin foi em peso para Bolsonaro e o tradicional do PT está com o PT, em menor proporção, mas está com o PT. O eleitorado da Bahia, nordestino, dá a vitória ao candidato do PT no primeiro turno. Foi o que aconteceu nas últimas quatro eleições. O que eu acho que aconteceu é que Bolsonaro encarnou um símbolo do antissistema. O PT é parte do sistema, Lula é parte do sistema, PSDB é do sistema. Então, se você quiser votar contra o sistema, vota no Bolsonaro. Por outro lado, o PT encarnou, como sempre fez, a simbologia da antiexploração. Se não quer ser explorado por políticos insensíveis, vote no PT. É o candidato contra a exploração e o candidato contra o sistema político”, analisou, em entrevista à Rádio Metrópole.

O especialista fez questão de ressaltar, no entanto, que Bolsonaro é integrante do sistema político, já que há quase três décadas é deputado. Para ele, a eleição não vai acabar no primeiro turno. "Deixou de ser vulnerável, no sentido da imagem de alguém que não fala coisa com coisa e que não é preparado, e que de fato não é mesmo. Vinte e oito anos na Camara, nunca se envolveu com o processo legislativo. Praticamente todos se envolvem com temas, conhecem por dentro, quem são interessados, o que emperra aprovações. Ele não sabe nada disso em relação a nenhum tema", considerou.

“É difícil, bastante difícil. Chance sempre tem. A questão é que a chance nesse momento é pequena, apesar de ter crescido. Para que a eleição seja ganha no primeiro turno, ontem ele chegou a 35%, ele tem que chegar a 44, 45% por aí. Tem que crescer muito ainda até o dia da eleição. Por isso, acho que a probabilidade maior é de que haja o segundo turno entre Bolsonaro e Haddad", afirmou.

Almeida entende que o episódio do atentado em Juiz de Fora favoreceu o capitão reformado. “[Isso] humanizou Bolsonaro. Ele veio incitando a violência e a facada acabou amenizando a imagem dele. Tudo isso, no mundo da imagem, mostrando que ele é tão frágil quanto qualquer ser humano”, pontuou.

No entanto, para o cientista, a facada ocorreu porque o presidenciável  “incitou a violência”. “Não aconteceu com outro candidato. Pela primeira vez, temos campanhas eleitorais onde um candidato simula com as mãos um formato de arma. Não é uma coincidência. Se voltou contra ele o que ele vinha pregando. É um temor que todo o brasileiro tem do aumento da violência, sabemos, o mundo moderno não conseguiu reduzir a violência, aumentando essa violência”, analisou.

No entendimento dele, o PSDB vai “sofrer a maior derrota eleitoral de sua história” na corrida presidencial. Já o PT, segundo ele, vai “renascer” no pleito. “O PT renasceu das cinzas. O PT deve acabar com a maior bancada. Estamos oscilando demais, nem uma coisa, nem outra. De novo, são todos responsáveis”, analisou.

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