Política

Boicote contra chef por ato contra Bolsonaro surte efeito contrário

Em post que foi publicado em sua conta pessoal e compartilhada pelo perfil do restaurante, ela reuniu outros funcionários contrários ao capitão reformado do Exército

[Boicote contra chef por ato contra Bolsonaro surte efeito contrário]
Foto : Reprodução/ Youtube

Por Matheus Simoni no dia 09 de Outubro de 2018 ⋅ 07:00

A chef Helena Rizzo, do restaurante Maní, em São Paulo, usou as redes sociais para se manifestar de forma contrária à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) e aderiu ao movimento #EleNão. Em post que foi publicado em sua conta pessoal e compartilhada pelo perfil do restaurante, ela reuniu outros funcionários contrários ao capitão reformado do Exército.

Após a manifestação, diversos internautas anunciaram um boicote ao estabelecimento. Com 1,6 milhão de seguidores, a blogueira Lala Rudge foi uma das influenciadoras digitais que promoveram manifestações contrárias a Rizzo, reclamando do ato.

No entanto, o boicote surtiu o efeito contrário. A publicação, que já passa de 18 mil curtidas, impulsionou o perfil da chef, que já chegou a 81 mil seguidores.
Na noite de ontem (5), Helena Rizzo pediu desculpas por prováveis ofensas que ela pode ter causado. "Assistir a um movimento crescente de intolerância que atinge boa parte dos meus colegas de cozinha me deixa extremamente consternada. Em nenhum momento manifestei posição partidária, não sou comunista nem socialista. Sou uma pessoa que vê o futuro dos meus pares ameaçado. E isso, espero que entendam, é difícil demais aceitar", escreveu. Confira:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Escrevo este post em razão dos desdobramentos que minha postagem no último sábado geraram. Primeiramente, peço desculpas a qualquer pessoa que tenha se ofendido com o meu gesto, ele não foi direcionado a você. Meu gesto é uma manifestação contra o preconceito, o machismo, o racismo, a homofobia e a misoginia. Reforço também que ele foi pessoal e expressa tão somente a minha convicção, e não a do Grupo Maní. Sou cozinheira há 23 anos, 13 dos quais no Maní, e nunca julguei ou escolhi cliente. Pelo contrário: diariamente cozinho para os outros, com empenho absoluto, exigindo o máximo de mim, dos cozinheiros e fornecedores que trabalham comigo. Sou feliz com o ambiente que criamos. O Maní é uma das cozinhas mais diversas que conheço, com brancos, negros, homens e mulheres, héteros e gays, gente do Brasil inteiro. Eles são minha família, pois é com eles que passo a maior parte do tempo. Assistir a um movimento crescente de intolerância que atinge boa parte dos meus colegas de cozinha me deixa extremamente consternada. Em nenhum momento manifestei posição partidária, não sou comunista nem socialista. Sou uma pessoa que vê o futuro dos meus pares ameaçado. E isso, espero que entendam, é difícil demais aceitar.

Uma publicação compartilhada por Helena Rizzo (@helenarizzo) em

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