Política

TSE suspende propaganda do PT que mostra Bolsonaro favorável à tortura

De acordo com o ministro Luís Felipe Salomão, do TSE, a peça "ultrapassou os limites da razoabilidade e infringiu a legislação eleitoral"

[TSE suspende propaganda do PT que mostra Bolsonaro favorável à tortura]
Foto : Tânia Rego/Agência Brasil

Por Matheus Simoni no dia 21 de Outubro de 2018 ⋅ 08:00

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu ontem (20) a propaganda eleitoral de Fernando Haddad (PT) em que o adversário, Jair Bolsonaro (PSL), é apresentado como favorável à tortura. Na peça, o parlamentar aparece em discursos no qual ele demonstra sua admiração do presidenciável por Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel chefe de órgãos de repressão política durante o regime nos anos 70.

De acordo com o ministro Luís Felipe Salomão, do TSE, a peça "ultrapassou os limites da razoabilidade e infringiu a legislação eleitoral". "A distopia simulada na propaganda, considerando o cenário conflituoso de polarização e extremismos observado no momento político atual, pode criar, na opinião pública, estados passionais com potencial para incitar comportamentos violentos", escreveu o magistrado.

A campanha de Haddad utiliza cenas do filme Batismo de Sangue, dirigido por Helvécio Ratton, de 2007, com um personagem nu sendo torturado com choque. Além das imagens, é exibido o depoimento da escritora e militante Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles.

No testemunho, ela diz que foi torturada pelo coronel Ustra e que ele levou a filha dela, de cinco anos, para vê-la após uma sessão de sevícia. "O momento de maior dor foi o Ustra levando os meus dois filhos na sala de tortura, onde eu estava nua, vomitada, urinada", disse Amelinha no programa eleitoral.

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