Política

Jornalista alerta sobre possível 'guerra institucional' no STF

Em entrevista à Rádio Metrópole hoje (15), o colunista apontou que o Supremo está enfraquecido diante da pressão envolvendo os recentes julgamentos

[Jornalista alerta sobre possível 'guerra institucional' no STF]
Foto : Divulgação

Por Matheus Simoni no dia 15 de Março de 2019 ⋅ 12:00

O jornalista e colunista do jornal Folha de S. Paulo Bruno Boghossian comentou a provável "guerra institucional" envolvendo membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e integrantes do Ministério Público Federal (MPF) após a decisão que incluiu no âmbito da Justiça Eleitoral crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, quando investigados junto com caixa dois. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e os membros da Lava Jato apontavam para o sentido oposto, em defesa de que os ilícitos fossem para a Justiça Federal.

Em entrevista à Rádio Metrópole hoje (15), o colunista apontou que o STF está enfraquecido diante da pressão envolvendo o tema. Boghossian ainda citou a instauração de um inquérito na Corte para apurar ameaças ao tribunal. Na avaliação dele, a ação mira membros da força-tarefa da Operação Lava Jato e outros agentes públicos.

"Foi uma ameaça clara aos procuradores e aos personagens que fazem críticas ao Supremo. A minha avaliação é de que a gente chegou ao ponto em que o Supremo se levantou. O que pode sair daí é algo muito perigoso. É uma escalada de, não só ameaças, implicações concretas. Pode ser uma guerra institucional que pode estar se levantando", declarou o colunista. 

Ele ainda avalia como negativa a repercussão da criação de um fundo de R$ 2,5 bilhões de multas pagas pela Petrobras. A medida chegou a ser anunciada pelo procurador Deltan Dallagnol, integrante da Lava Jato, mas foi suspensa após críticas de juristas e da própria PGR.

"Dentro das instituições, do Supremo e da PGR, certamente a força-tarefa de Curitiba ficou relativamente enfraquecida. Tanto que eles se sentiram obrigados a recuar e suspender a criação desse fundo. A criação é muito nebulosa no ponto de vista da legalidade e da autoridade que esse MPF e os procuradores têm para gerir o dinheiro que seria repassado pela Petrobras nesse acordo com os EUA. Essa decisão de recuar e desistir desse fundo, pelo menos por enquanto, me parece estratégico. Não se sabe se irão tentar de novo em uma outra forma jurídica ou entrar em acordo com outra instituição", afirmou. 

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