Política

Kennedy Alencar aponta possível obstrução de justiça de Moro na Lava Jato

'Se há uma orientação do juiz ao advogado em sua estratégia, ele procura influenciar o resultado do processo penal de modo que tenha um resultado diferente', afirma

[Kennedy Alencar aponta possível obstrução de justiça de Moro na Lava Jato]
Foto : 247/Divulgação

Por Matheus Simoni no dia 10 de Junho de 2019 ⋅ 15:54

O jornalista político Kennedy Alencar avaliou como grave a intervenção do ex-juiz federal Sérgio Moro, então responsável pelos julgamentos da Operação Lava Jato em primeira instância, em ações do Ministério Público Federal (MPF). Na noite de ontem (9), o portal Intercept Brasil divulgou mensagens entre o magistrado e o procurador Deltan Dallagnol, membro da força-tarefa da operação.

Em entrevista à Rádio Metrópole hoje (10), durante o Jornal da Metrópole no Ar, Alencar apontou uma possível obstrução de justiça praticada por Moro. "São furos relevantes e as informações são graves. Mostram um modus operandi de combate ao crime que desobedece a lei. O juiz não pode agir como parte, sustentar uma acusação, dar pistas e intervenções políticas. Acho que o STF, a PGR, o CNJ e o CNMP vão ter que racionalizar e punir eventuais ilegalidades e erros de conduta, apontando nulidades. O Teori Zavascki já havia apontado em 2016, quando o então juiz Sérgio Moro divulgou o grampo da presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula como indicado para a Casa Civil, e que aquilo era uma ilegalidade", afirmou o jornalista. 

Kennedy Alencar ainda afirmou que a figura do juiz acusador não é instituída pela legislação do país. De acordo com ele, o caso exige uma resposta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), além do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Há interesse público em saber o que tem nesses diálogos entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Se há um diálogo entre o juiz e o advogado, há obstrução de justiça. Se há uma orientação do juiz ao advogado em sua estratégia, ele procura influenciar o resultado do processo penal de modo que tenha um resultado diferente. O que Moro fez com Dallagnol foi conduzir a investigação de modo que a lei não permite. O juiz não pode ser acusador. Há países que existem essa figura do chamado juiz acusador, que instruir as provas e o outro julga, mas não em nosso ordenamento", disse.

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