Política

Lava Jato discutiu troca de procuradora após crítica de Moro, apontam diálogos

Conversas foram obtidas pelo site The Intercept Brasil e reveladas no programa "O É da Coisa", de Reinaldo Azevedo, na rádio BandNews, ontem (20).

[Lava Jato discutiu troca de procuradora após crítica de Moro, apontam diálogos]
Foto : Reprodução

Por Juliana Almirante no dia 21 de Junho de 2019 ⋅ 08:00

A força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) discutiu a mudança da escala de procuradores em audiências após crítica do ex-juiz Sergio Moro a uma das integrantes do grupo.

É o que sugerem novos diálogos obtidos pelo site The Intercept Brasil e revelados no programa "O É da Coisa", de Reinaldo Azevedo, na rádio BandNews, ontem (20).

Em diálogo divulgado no último dia 9, o site havia mostrado que Moro enviou uma mensagem a Deltan Dallagnol, em 2017, orientando que aconselhasse a procuradora Laura Tessler a aprimorar o desempenho em interrogatórios da Lava Jato.

O novo trecho revelado ontem aponta que Dallagnol discutiu o assunto de maneira particular com Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos integrantes mais experientes da força-tarefa, que hoje éaposentado. O coordenador do grupo encaminhou ao colega a mensagem em que Moro critica a procuradora.

"Vamos ver como está a escala e talvez sugerir que vão 2, e fazer uma reunião sobre estratégia de inquirição, sem mencionar ela", disse Deltan.

Santos Lima rebate: "Por isso tinha sugerido que Júlio ou Robinho fossem também. No [depoimento] do Lula não podemos deixar acontecer".

A discussão ocorreu dois meses antes do primeiro depoimento do ex-presidente Lula (PT) como réu na operação. Na audiência, em maio, compareceram três procuradores: Santos Lima, Júlio Noronha e Roberson Pozzobon. Criticada por Moro, Laura Tessler não participou.

Antes dessa discussão, segundo informou a rádio, Deltan solicitou precauções quanto ao diálogo ao colega. "Não comenta com ninguém e me assegura que teu telegram não tá aberto aí no computador e que outras pessoas não estão vendo...". O coordenador da força-tarefa ainda combinou com Santos Lima de apagar o conteúdo da mensagem.

Em audiência no Senado, o ministro Sérgio Moro foi questionado sobre a orientação relacionada a Laura Tessler. Disse que era um factóide e que não se lembrava da mensagem específica.

"Em nenhum momento no texto, há alguma orientação de substituição daquela pessoa [Tessler]. Tanto que essa pessoa continua e continuou realizando audiências e atos processuais até hoje dentro da Operação Lava Jato. Um juiz eventualmente recomendar para um advogado na audiência ou para um procurador: olha, profissionalmente, vou te dar um conselho, faça assim, não faça assado, como isso pode ser considerado alguma coisa ilícita."

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