Política

Frota critica 'ditadura bolsonariana' e diz que presidente mudou após ser eleito

"Todo mundo que esbarra em alguma coisa, que cria uma divergência, que dá uma opinião contrária, se torna a ovelha negra. Não pode falar nada", analisou, em entrevista ao Roda Viva

[Frota critica 'ditadura bolsonariana' e diz que presidente mudou após ser eleito]
Foto : Reprodução / YouTube

Por Juliana Rodrigues no dia 20 de Agosto de 2019 ⋅ 12:00

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) criticou o que chamou de "ditadura bolsonariana", em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de ontem (19). Frota, que apoiou o presidente Jair Bolsonaro durante a disputa eleitoral, foi expulso do PSL, partido do chefe do Executivo nacional, na semana passada. Ele afirmou que no governo não existe abertura ao diálogo e nem espaço para quem pensa diferente.

"Bolsonaro quer fazer as coisas do jeito dele, ouve muito pouco aqueles que querem se posicionar. E a gente tem que procurar um diálogo, ele não está aberto a isso, ele está aberto só para determinadas pessoas que ele acha que fazem parte do mundo dele", disse. Segundo Frota, as pessoas que Bolsonaro ouve são o filho Carlos Bolsonaro, vereador no Rio, o filósofo Olavo de Carvalho e o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins. 

Na avaliação de Frota, o comportamento de apoiadores do presidente nas redes sociais configuraria uma "ditadura". "Você não pode falar nada, não pode criticar, não pode opinar, que você é expulso. Haja vista o que passou o Santos Cruz, o (Gustavo) Bebianno (ministros demitidos). Todo mundo que esbarra em alguma coisa, que cria uma divergência, que dá uma opinião contrária, se torna a ovelha negra. Não pode falar nada. Eu acho isso uma ditadura bolsonariana, não existe diálogo, não existe uma democracia ali", analisou.

Ao ser questionado se não era possível perceber essas características durante a campanha, Frota negou e disse que Bolsonaro mudou, em discurso semelhante ao do ex-ministro Gustavo Bebianno. "É uma outra pessoa. Era aberto, comunicativo. Vejo ele tomando atitudes e interferindo no Coaf, na Receita, na PF. Se algo não o agrada, ele muda", afirmou. "Pelo menos comigo e com algumas pessoas que você conversa, elas têm esse mesmo entendimento da maneira como ele se comporta, com determinadas ações, coisas combinadas que se perderam no meio do caminho", acrescentou.   

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