Política

Ex-superintendente da PF do Rio desmente Bolsonaro e confirma que Flávio era investigado

Delegado disse ainda sua nomeação demorou porque presidente queria indicar outra pessoa para o cargo de gerência da Polícia Federal

[Ex-superintendente da PF do Rio desmente Bolsonaro e confirma que Flávio era investigado]
Foto : Marcos Brandão/Agência Senado

Por Matheus Simoni no dia 13 de Maio de 2020 ⋅ 20:00

O ex-superintendente da Polícia Federal do Rio Carlos Henrique Oliveira declarou que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido), era investigado em um inquérito em curso na Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro. A informação do delegado da corporação desmente o que foi declarado pelo chefe do Executivo, que defende publicamente a versão de que ninguém de sua família era investigado.

O agente, no entanto, afirmou que não recebeu cobranças do presidente a respeito de investigações em andamento. Investigadores apontam que esse a existência desse inquérito contra o filho do presidente é um fato considerado relevante, que remete ao interesse concreto de Bolsonaro na PF do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

"Perguntado se tem conhecimento de investigações sobre familiares do presidente nos anos de 2019 e 2020 na SR/PF/RJ disse que tem conhecimento de uma investigação no âmbito eleitoral cujo inquérito já foi relatado, não tendo havido indiciamento", diz o depoimento do delegado.

Ainda segundo o jornal, a PF pediu arquivamento do inquérito em março, sem nem solicitar as quebras de sigilo dos personagens envolvidos. O Ministério Público ainda não se manifestou sobre esse arquivamento. O inquérito eleitoral investigava se o senador Flávio Bolsonaro cometeu lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral ao declarar seus bens nas eleições de 2014, 2016 e 2018.

Carlos Henrique também prestou depoimento para falar da demora de sua nomeação para o cargo de superintendente no Rio, que teria ocorrido porque Bolsonaro queria nomear outra pessoa o posto. "Houve uma demora na nomeação do depoente para esse cargo pois na época houve uma manifestação pública do presidente Jair Bolsonaro, noticiada na imprensa, no sentido que ele, o presidente, desejava que outro delegado assumisse o cargo de superintendente no Rio de Janeiro", afirma.

Notícias relacionadas