Política

Inquérito do STF é apenas uma das linhas de investigação das fake news, diz Lídice da Matta

Deputada apontou que as investigações contra empresários e figuras políticas não podem ser enfraquecidas, mesmo diante de ameaças autoritárias do governo Bolsonaro

[Inquérito do STF é apenas uma das linhas de investigação das fake news, diz Lídice da Matta]
Foto : Edilson Rodrigues/Agência Senado

Por Matheus Simoni no dia 28 de Maio de 2020 ⋅ 10:17

A deputada federal Lídice da Matta (PSB-BA), relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, afirmou que o inquérito em investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) utiliza apenas uma das linhas de investigação sobre grupos responsáveis pelo envio de notícias falsas nas redes sociais. Em entrevista a Mário Kertész hoje (28), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, a parlamentar demonstrou que os perfis que foram alvos da operação da última quarta-feira (28) já era conhecidos do colegiado.

"A linha adotada pela investigação do Supremo é uma das que nós estamos investigando, que é a denúncia da deputada Joice Hasselman, do deputado Frota e da revista Crusoé. Se for você for vendo, primeiro sai a reportagem, depois Frota e Joice fazem coisas mais elaboradas, todos no mesmo caminho. O depoimento do general Santos Cruz não afirma essas coisas, mas insinua diversas delas. O Supremo está na linha correta de investigação. São sites, blogs e perfis já conhecidos cedidos por aqueles que são disseminadores de fake news", declarou a deputada.

Lídice apontou que as investigações contra empresários e figuras políticas não podem ser enfraquecidas, mesmo diante de ameaças autoritárias do governo Bolsonaro. "Acho que o Supremo teve uma posição corajosa de manter a investigação. É necessária essa investigação. Uma coisa é dizer que um ministro não cumpriu uma sentença de forma correta, mas você tem obrigação de cumpri-la, assim determina a Constituição. Você não pode ver uma pessoa como uma arma na mão, como vimos Roberto Jefferson, ameaçando os ministros e dizendo que são vagabundos. O que é isso? É liberdade de expressão, com arma na mão? O que quer dizer com isso?", indagou.

Lídice criticou a reunião ministerial divulgada pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), alvo de investigação por suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. "Além dos ataques feitos à democracia, quando o ministro da Educação diz que é para prender todos os membros do STF, a outra ministra diz que prefeito e governador que não obedecer o presidente tem que ser preso, é um desrespeito total ao voto popular. Ainda diz que a democracia é sustentada pelo povo e que o presidente da República é supremo por ter votado pelo povo. Não é assim. O presidente tem que respeitar todas as instituições democráticas, inclusive o prefeito, que é uma instituição democrática, e o governo estadual, que é uma instituição democrática, também originados do voto popular", declarou a relatora da CPMI.

"Uma seguidora, depois do que aconteceu, disse que vai perseguir o ministro Alexandre de Moraes e descobrir quem são suas empregadas e onde mora sua família. Isso é ameaça em qualquer lugar do mundo, você não pode permitir. Nunca convivemos com isso. Fala-se tanto da esquerda, mas nunca ouvi dizer que qualquer militante ou político de esquerda tenha feito qualquer ameaça com essas características a qualquer sistema, inclusive pessoais, de ameaça à vida das pessoas", acrescentou.

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