Saúde

Zika: Cientistas encontram proteínas do vírus que levam à microcefalia

Com o objetivo de desvendar de que maneira o vírus da zika pode levar à microcefalia e a outros problemas neurológicos, os cientistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, realizaram um estudo que diz que duas proteínas do vírus são responsáveis pela desregulação celular que ocasiona na malformação. [Leia mais...]

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Foto : Universidade Purdue/Cortesia

Por Jessica Galvão no dia 11 de Agosto de 2016 ⋅ 16:16

Com o objetivo de desvendar de que maneira o vírus da zika pode levar à microcefalia e a outros problemas neurológicos, os cientistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, realizaram um estudo que diz que duas proteínas do vírus são responsáveis pela desregulação celular que ocasiona na malformação. A informação foi publicada na revista "Cell Stem Cell", nesta quinta-feira (11), segundo o G1.

"Agora sabemos as vias moleculares, então demos o primeiro grande passo rumo a uma terapia alvo para microcefalia induzida por zika", diz Jae Jung, um dos autores do estudo e professor do Departamento de Microiologia Molecular e Imunologia na USC.

Células-tronco neurais fetais humanas foram infectadas, pelos pesquisadores, com três cepas do vírus da zika. Além disso, eles mediram o impacto dessa infecção segundo a presença de cada uma das 10 proteínas codificadas pelo vírus da zika. Esse impacto foi medido ao se observar a formação das neuroesferas, que são um conjunto de células-tronco neurais que representam características iniciais do processo de formação dos neurônios.

No teste, foi observado que as proteínas NS4A e NS4B do vírus da zika inibiram a formação das neuroesferas e levaram à redução da média do tamanho dessas estruturas. As proteínas desregulam mecanismos celulares como o da autofagia, tipo de “reciclagem celular”. “O vírus da zika aumenta a atividade em sua fábrica de reciclagem para que ele possa usar a energia e nutrientes resultantes para se replicar. [...] É possível que, como o zika está usando a maior parte da energia, as células-tronco neurais ficam com déficits metabólicos. Portanto as chances para elas diferenciarem e amadurecerem em neurônios e outros tipos de células cerebrais são bem menores”, diz Jung.

Dando sequência ao trabalho, os cientistas realizam agora, experimentos para verificar a ação das proteínas NS4A e NS4B em organoides cerebrais e em camundongos.

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