Bahia

Tribunal de Contas dos Municípios vai investigar pagamentos do Madre Verão

Se depender do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), a velha prática do pão e circo, em Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador, pode estar com os dias contados. Na semana passada, a Metrópole denunciou a contradição [Leia mais...]

[Tribunal de Contas dos Municípios vai investigar pagamentos do Madre Verão]
Foto : Divulgação

Por Bárbara Silveira no dia 04 de Fevereiro de 2016 ⋅ 08:14

Se depender do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), a velha prática do pão e circo, em Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador, pode estar com os dias contados. Na semana passada, a Metrópole denunciou a contradição do município que sofre com a falta de infraestrutura e segurança enquanto o prefeito Jeferson Andrade (PP) gasta cerca de R$ 5 milhões para a realização do Madre Verão, evento que reúne bandas de renome nacional durante dez dias de festa.
 
Apesar de não haver nenhuma denúncia formalizada sobre o caso, depois da matéria da Metrópole, o presidente do Tribunal de Contas dos Municípios, Francisco Andrade Neto, determinou uma análise minuciosa dos valores pagos durante os festejos. “Em razão de denúncia publicada pelo Jornal da Metrópole, o inspetor Humberto Frederico Borba da Trindade, responsável pela 1ª Inspetoria Regional de Controle Externo, fará uma diligência para apurar o cumprimento dos princípios da legalidade, economicidade e razoabilidade por parte da Prefeitura de Madre de Deus”, informou o TCM.
 
De acordo com o comunicado do Tribunal, “toda a documentação relativa aos procedimentos licitatórios que antecederam as contratações das atrações artísticas e também da infraestrutura utilizada no evento” será examinada, assim como os pagamentos relacionados às contratações.
Conforme explicou o TCM, as informações analisadas pela corte poderão gerar “repercussões no exame das contas anuais do gestor”.
 
Após renúncia de ex-prefeita, filho comandaria contratação de bandas

De acordo com informações obtidas pela Metrópole, apesar de a ex-prefeita Carmen Gandarela (PT) ter alegado problemas de saúde para renunciar ao cargo em 2013, as motivações seriam políticas. “Fui saber que isso fez parte de um acordo em que a ex-prefeita renunciou para que o atual prefeito assumisse, e ela indicou o filho, Sérgio, para ser o coordenador e contratador desses shows”, disse Mário Kertész.
 
Prefeito em “ritmo de carnaval”
Procurado desde a semana passada para justificar tanto dinheiro público na festa, o prefeito de Madre de Deus, Jeferson Andrade, não foi encontrado novamente. A falta de comunicação de Andrade contrasta com o número de funcionários do setor: além da comunicação da Prefeitura, o prefeito possui a sua própria assessora de imprensa, que também não nos atendeu. “Eles estão em ritmo de Carnaval. A dificuldade é essa”, argumentou a secretária de Andrade.
 
Empresas receberam mais de R$ 1 milhão
Em janeiro, a Prefeitura firmou com a PMKR Promoções, Marketing e Representações, de Camaçari, e com a LG Produções e Eventos, de Alagoinhas, cinco contratos do Madre Verão.
Com a empresa de Alagoinhas, registrada no nome de Evangivaldo Pereira Silva e Inês Pereira Silva, foram quatro contratos que somam R$ 600 mil. Já com a PMKR, que tem como sócios Antônio Carlos Guimarães e Neide Mayre dos Santos Guimarães, a Prefeitura pagou R$ 468 mil. Os responsáveis pela PMKR não foram encontrados. Já o responsável pela LG afirmou que falaria sobre o assunto, mas não o fez até o fechamento da edição.
 
Falta água, e violência só cresce

Enquanto a Prefeitura decide encaminhar a verba pública para o pagamento de shows, áreas como a segurança e a infraestrutura pedem socorro em Madre de Deus.  De acordo com um ranking internacional publicado em janeiro por uma organização não governamental mexicana, o Brasil é o país com o maior número de cidades entre as mais violentas do mundo em 2015 — e Madre de Deus está entre elas.
 
Das 50 cidades com maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes, 21 são brasileiras, entre elas Salvador e a Região Metropolitana (RMS), o que inclui Madre. A falta de água também é situação recorrente. Durante a campanha eleitoral, resolver o problema foi uma das promessas de Jeferson, que garantiu que construiria uma adutora com a ajuda do deputado federal Mário Negromonte Júnior (PP). Mas tudo ficou na promessa.

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