A Copa entrou pela porta dos fundos
Não acompanho campeonatos com fanatismo. Continuo gostando de livros, de música, de teatro e de boas conversas. Mas quando chega uma Copa, alguma coisa diferente acontece.

Não acompanho campeonatos com fanatismo. Continuo gostando de livros, de música, de teatro e de boas conversas. Mas quando chega uma Copa, alguma coisa diferente acontece.

Hoje, olho para trás e vejo uma sucessão de acasos, riscos, derrotas, recomeços, encontros e desencontros. Nada foi planejado.

Dentro da vasilha, deixamos apenas um bilhete. Simples, educado, sincero, como toda boa confissão deveria ser: "Obrigado. O vatapá estava excelente."

Talvez essa seja a maior lição de quem vive muito: perceber que quase tudo muda. Mudam as roupas, as ideias, os amores, os governos, os medos e as tecnologias

Minha educação sentimental teve professores improváveis: atores italianos, diretores franceses, dramaturgos ingleses e personagens que jamais imaginaram que estavam formando um adolescente baiano

Mas, para além da economia, falta algo fundamental que talvez ajude a entender as intenções de voto – o governo não tem marca, não tem audácia, não tem alma
