
Ninguém sabe como vai acabar a guerra
O único aspecto previsível da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã no Oriente Médio é sua imprevisibilidade

Foto: Reprodução Jornal Metropole
O único aspecto previsível da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã no Oriente Médio é sua imprevisibilidade. Não há análise séria que possa cravar como esse conflito irá terminar, pelas incertezas sobre as estratégias de guerra e a pouca confiabilidade das declarações públicas dos atores envolvidos. O fato de os Estados Unidos serem donos da maior máquina de guerra já vista na história não é uma garantia de vitória.
Um exemplo: Donald Trump já ameaçou invadir o Irã por terra, quando qualquer pessoa com conhecimentos básicos de geografia e história militar sabe que uma ação como essa colocaria os americanos em um atoleiro gigantesco, que faria as incursões ao Vietnã e ao Afeganistão parecerem um passeio no parque. Não são poucas vozes na imprensa americana que indicam que o presidente já tenta sair da cilada que ele mesmo engendrou, influenciado pelo controverso colega israelense.
Benjamin Netanyahu e Donald Trump decidiram lançar, no último dia 28 de fevereiro, um ataque massivo ao regime dos aiatolás, sob alegação de destruir o programa nuclear iraniano. Sabe-se que Israel considera o Irã a maior ameaça à sua existência, mas não há provas de que os herdeiros do antigo império persa tenham construído armas nucleares.
O ataque obteve um resultado impressionante: a morte de Ali Hosseini Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989. Mas pode ter sido uma falsa vitória. A narrativa iraniana é a de que o aiatolá se recusou a ir a um abrigo e aceitou seu destino de mártir. Morrer como tal é a maior glória para um radical xiita, e o sacrifício do líder tem conotações simbólicas suficientes para elevar a resistência iraniana e angariar apoio da população.
A morte de vários outros integrantes da cúpula do regime não significa necessariamente sua queda. O Irã respondeu aos ataques lançando bombas com drones em vários países que hospedam bases militares americanas e contra Israel, com variados graus de sucesso.
As ameaças mútuas se sucedem, e a todo momento uma notícia espetacular é substituída por outra notícia espetacular. A única coisa certa: sequestrar Nicolás Maduro é mole. Derrubar um regime bancado por um dos exércitos mais eficientes do mundo não é tarefa fácil. Nem mesmo para os Estados Unidos.
*Flávio VM Costa é escritor e jornalista formado pela Ufba. Autor dos livros de contos "Você Morre Quando Esquecem seu Nome" e “Caçada Russa & Outros Relatos”, é atualmente repórter especial do ICL Notícias
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