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O jornalismo brasileiro, segundo fontes

O jornalismo brasileiro, segundo fontes

O "segundo fontes" é frequentemente usado quando o jornalista que dar autenticidade ao que se passa na cabeça de terceiros, em puro exercício de adivinhar intenções.

O jornalismo brasileiro, segundo fontes

Foto: Reprodução Jornal Metropole

Por: Jânio de Freitas no dia 05 de fevereiro de 2026 às 11:00

Entre as várias forças que estão envolvidas nessa recente crise envolvendo o Banco Master, a mídia brasileira merece destaque. Pelo aprendizado que ela deveria ter absorvido depois do que fez na cobertura da Operação Lava Jato, naquela espécie de golpe antieleitoral, esperava-se o mínimo de responsabilidade por parte de jornalistas e veículos da imprensa nacional.

Vamos ao exemplo mais específico, que é a recente artilharia da mídia sobre o Supremo Tribunal Federal, baseada na atuação do ministro Dias Toffoli no caso do Master, supostamente movida por interesses pessoais, a julgar pelo que se diz e se escreve por aí. Chegou-se ao ponto de ouvir e ler repetidamente nos jornais, blogs e emissoras de rádio e TV, todos os dias, que Toffoli atraiu para si o inquérito. É mentira isso, e de uma leviandade espantosa. 

Nem é preciso ir muito longe para provar. Qualquer jornalista minimamente informado sabe que a relatoria de cada um dos inquéritos que chegam ao Supremo é definida por sorteio eletrônico. Da mesma forma, é totalmente irresponsável afirmar, como está nos jornais, que o ministro levou artificialmente o caso do Master para o Supremo, quando se sabe que ele foi parar na corte por envolvimento de congressista.

E como se chega a tal especulação como se fosse certeza? Ora, "segundo fontes", algo que virou um clichê no jornalismo brasileiro. O que o "segundo fontes" significa como autenticação de veracidade? Zero. Seja por falha técnica e incapacidade profissional ou por má intenção mesmo, o uso desse artifício vira jogada para ludibriar o leitor. "Ah, foram as fontes que me disseram. E eu, como bom jornalista, repasso a informação ao público".

O "segundo fontes" é frequentemente usado quando o jornalista que dar autenticidade ao que se passa na cabeça de terceiros, em puro exercício de adivinhar intenções. Aliás, a capacidade que o jornalista brasileiro tem de penetrar na cabeça alheia para verificar intenções já é uma coisa inacreditável. Não tem similar no mundo, no jornalismo ou fora dele.

O público que passe a acreditar naquilo que será veracidade ou não, a depender, aí sim, da credibilidade do jornalista. Mas todos os incontáveis obstáculos que surgem diante da veracidade dos fatos narrados pela imprensa contribuem para fragilizar a opinião pública e torná-la mais facilmente manipulável.   
 

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