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Iphan confirma irregularidade em beach club da família Vorcaro em Arraial D'Ajuda

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Iphan confirma irregularidade em beach club da família Vorcaro em Arraial D'Ajuda

Imóvel, localizado na Praia de Araçaípe, está inserido no Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Porto Seguro, tombado em 1974

Iphan confirma irregularidade em beach club da família Vorcaro em Arraial D'Ajuda

Foto: Reprodução / Instagram @eutadeueu

Por: Metro1 no dia 26 de janeiro de 2026 às 11:20

Atualizado: no dia 26 de janeiro de 2026 às 14:58

A obra de um beach club da família Vorcaro, em Arraial d’Ajuda, no litoral sul da Bahia, foi embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por irregularidades em área tombada. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo nesta segunda-feira (26) e confirmada pelo Metro1 junto à entidade.

Segundo o jornal, o empreendimento é conduzido pela Milo Investimentos, que tem como diretores Henrique Moura Vorcaro e sua filha, Natália Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. O auto de infração e o termo de embargo foram lavrados em 21 de janeiro de 2026.

Segundo o Iphan, o imóvel, localizado na Praia de Araçaípe, na Estrada da Balsa, está inserido no Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Porto Seguro, tombado em 1974, o que exige autorização prévia do órgão federal para qualquer intervenção. A primeira vistoria ocorreu em 26 de novembro de 2025, após denúncia de suposta obra irregular. Na ocasião, os fiscais constataram que a construção estava em andamento sem autorização do Iphan e sem apresentação de projeto. O instituto informou que oficiou a prefeitura para identificar o responsável, mas não obteve resposta.

Em nova vistoria, em 8 de janeiro de 2026, o Iphan verificou a continuidade da obra, já em fase de acabamento, além da supressão de vegetação de restinga na área de praia. As intervenções incluíam novas edificações e a construção de piscina, o que, segundo o órgão, promoveu alteração da ambiência e dano ao patrimônio tombado, com destaque excessivo na paisagem local.

A empresa possuía apenas uma licença municipal de reforma, emitida em julho de 2024 pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Porto Seguro, que autorizava troca de telhado, piso, esquadrias e ajustes em instalações hidráulicas e elétricas do imóvel antigo. As intervenções encontradas pelo Iphan, no entanto, excederam o escopo da autorização. O terreno do empreendimento tem cerca de 6 mil m² e, segundo o mercado imobiliário local, pode valer entre R$ 10 milhões e R$ 30 milhões.

O Iphan ressaltou que qualquer intervenção em bens tombados deve observar o Decreto-Lei nº 25/1937 e normas do próprio instituto, e que irregularidades configuram infração administrativa passível de penalidades. O órgão também destacou que sua atuação não substitui a necessidade de licenças municipais, ambientais e da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), especialmente porque parte do imóvel está situada em terreno de marinha.