Quarta-feira, 04 de março de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Bahia

/

Idafro aciona CNJ contra retirada de foto de líder de Candomblé em Fórum de Camaçari

Bahia

Idafro aciona CNJ contra retirada de foto de líder de Candomblé em Fórum de Camaçari

Juiz alegou princípio da laicidade para remover fotografia

Idafro aciona CNJ contra retirada de foto de líder de Candomblé em Fórum de Camaçari

Foto: Divulgação/Idafro

Por: Metro1 no dia 04 de março de 2026 às 11:31

O Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) e a makota do Candomblé e escritora Solange Borges apresentaram nesta quarta-feira (4) uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade. A ação foi motivada pela retirada de uma fotografia de Solange de uma exposição no térreo do Fórum Clemente Mariani,em Camaçari, e solicita a reintegração imediata da imagem, além da instauração de Procedimento de Controle Administrativo (PCA). 

Paralelamente, Solange, com assessoria do Idafro, planeja ação indenizatória por discriminação religiosa contra o Estado da Bahia. No documento, o magistrado alegou ter constatado a presença de “retrato de uma personagem vinculada à religião de matriz africana” e afirmou que a exibição não parecia “condizente nas instalações deste prédio público”, citando o princípio da laicidade do Estado e sugerindo a retirada ou abertura do espaço para outras matrizes religiosas.

A fotografia representa Solange Borges, mulher negra, chef, escritora e makota no Candomblé, e integra a exposição artística do fórum. Para o Idafro, a ação do magistrado mostra interpretação equivocada do princípio da laicidade, podendo configurar discriminação ao associar cultura afro-religiosa à inadequação de espaço público. 

O presidente do Idafro, Hédio Silva Jr., ressaltou que "O Estado laico não significa um Estado hostil às religiões, muito menos às religiões de matriz africana. Laicidade é garantia de liberdade e igualdade, não instrumento de censura simbólica". 

O Idafro sustenta que laicidade exige neutralidade e não invisibilização de manifestações culturais marginalizadas. Hédio Silva Jr. acrescentou que a seletividade na ação do juiz sugere tratamento desigual entre crenças, reforçando a necessidade de investigação sobre possível violação dos deveres funcionais e princípios constitucionais da igualdade e liberdade religiosa.