
Bahia
“O risco é eminente”, diz filho de Mãe Bernadete em primeiro dia de julgamento dos réus
Julgamento continua nesta terça-feira (14); defesa fala em provas “irrefutáveis”

Foto: Metropress/Thaissa Mamede
O primeiro dia de julgamento dos acusados pela morte de Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, foi encerrado nesta segunda-feira (13), no Fórum Ruy Barbosa. A sessão será retomada nesta terça-feira (14), a partir das 8h.
Durante o dia, foram apresentadas as primeiras sustentações e depoimentos no caso, que apura o assassinato da líder quilombola, morta a tiros em agosto de 2023. O julgamento tem mobilizado movimentos sociais, que realizaram atos em frente ao fórum cobrando justiça.
Ao Metro1, Jurandir Pacífico, filho da líder quilombola, agradeceu o apoio que recebeu de movimentos e de órgãos estaduais, mas relatou que segue sob ameaça mesmo com proteção. “Temo, sim [pela vida]. O risco é eminente”, afirmou.
Advogado da família, Hédio Silva, afirmou que as provas reunidas no processo apontam para a atuação do tráfico de drogas. “As provas são muito robustas, são irrefutáveis. [...] hoje com o que nós temos aqui, o jurado não tem nenhuma dúvida, vai condenar a pena máxima”, declarou.
Ele também criticou o pedido de arquivamento das investigações sobre a morte de Binho do Quilombo, filho de Mãe Bernadete, assassinado em 2017. “Eu me permito discordar radicalmente do pedido de arquivamento do inquérito do Binho. [...] há materialidade e autorias suficientes”, disse, acrescentando que a defesa pode pedir a federalização do caso.
O júri foi adiado anteriormente após a troca de defesa dos réus, Arielson da Conceição Santos e Marilio do Santos, este último foragido. Durante o julgamento, Arielson admitiu ter ido até a casa de Mãe Bernadete, mas que a intenção era "dar um susto" nela, já que havia um conflito entre eles. Ele chegou a pedir desculpas a família Pacífico.
Mãe Bernadete foi morta dentro da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, com 25 tiros, mesmo integrando um programa de proteção a defensores de direitos humanos. O caso é considerado um dos mais emblemáticos da violência contra lideranças quilombolas no país.
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