
Bahia
Em discurso de posse, João Carlos Salles defende autonomia da Ufba contra pressões políticas e financeiras
Em seu terceiro mandato à frente da Universidade Federal da Bahia, reitor defende autonomia da instituições públicas de ensino superior para enfrentar as mais variadas pressões

Foto: Reprodução/Youtube
Ao tomar posse para o terceiro mandato à frente da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o reitor João Carlos Salles fez um discurso marcado pela defesa do ensino superior público e da necessidade de autonomia para enfrentar pressões orçamentárias, políticas e ideológicas. Ao questionar se seria possível pensar o mundo sem a instituição, Salles afirmou que a Ufba precisa reafirmar seu “mandato social” e rejeitou a visão da universidade submetida exclusivamente à lógica de mercado, produtividade e resultados.
Para o reitor, ciência, cultura, arte e formação humanística dão o verdadeiro sentido de existência à universidade e reforçam a relevância social que conquistou ao longo da história. Ao mesmo tempo, criticou a crescente dependência de emendas parlamentares e o atual modelo de financiamento das instituições federais de ensino. Para ele, a Ufba deve preservar a capacidade que tem de produzir conhecimento sem ceder ao papel de mera prestadora de serviços movida pelas demandas do mercado.
Em seu discurso, Salles incorporou um tom político ao comentar projetos em disputa nas eleições de 2026 para a educação superior. Sem citar candidatos nominalmente ou defender quaisquer lados da disputa, condenou tanto a proposta de transferir as universidades federais do Ministério da Educação para a pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação, ideia propagada pelo campo conservador, e fez ressalvas à falta de empenho da ala progressista por não garantir recursos suficientes para a manutenção das universidades.
A fala do reitor foi recheada de citações e referências a figuras célebres, como o poeta russo Vladimir Maiakovski, o lendário líder baiano de esquerda Carlos Marighella, a intelectual norte-americana Susan Sontag e o jornalista e pensador austríaco Stefan Zwieg. Ao fim, Salles afirmou que a Ufba deve se esforçar para transformar as dificuldades do presente em um projeto de longo prazoe ser capaz de "arrancar alegria ao futuro".
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

