Bahia

Área de queimada deste ano deve ser menor do que em 2015 na Chapada Diamantina

Para essa temporada de incêndio, tanto a direção do parque quanto os brigadistas, estão otimistas devido às ações de prevenção, como a observação constante da vegetação

[Área de queimada deste ano deve ser menor do que em 2015 na Chapada Diamantina]
Foto : Dimitri Argolo Cerqueira/Metropress

Por Marina Hortélio no dia 16 de Novembro de 2018 ⋅ 14:40

Mais de duas temporadas após o fogo que devastou mais de 20% da área do Parque Nacional da Chapada Dimantina, em 2015, o último período de incêndio, iniciado em março de 2017 e encerrado em fevereiro deste ano, queimou menos de 1% do parque e bateu o recorde de menor área destruída pela queimada.

Para esta temporada de incêndio, tanto a direção do Parque Nacional da Chapada Diamantina, quanto os brigadistas estão otimistas devido às ações de prevenção, como o observação constante da vegetação. Apesar da boa perspectiva, a chefe da área de preservação, Soraya Martins, aponta que o recorde da temporada passada não vai ser alcançado. “A gente já teve alguns incêndios nesse ano que superaram aquela área queimada. Como a nossa temporada vai até fevereiro, tem muito tempo para fechar o balanço”, ponderou.

Entretanto, Martins aponta que a área queimada deve ser menor do que o porcentual devastado em 2015. Para o secretário de Meio Ambiente do estado, José Geraldo dos Reis Santos, a redução dos incêndios tem relação com o trabalho de  coordenação de educação ambiental realizado pelo governo em conjunto com o corpo de bombeiros.

Já para a chefe do Parque Nacional, para além das ações de prevenção e combate ao fogo, a redução se deve a uma mudança na cultura da população que vive na Chapada Diamantina. “As pessoas estão usando menos o fogo, ou aquelas que usam, usam com mais cuidado. A sociedade que não tolera mais”, apontou. 

Ela afirma, entretanto, que a mudança ocorreu não apenas pelas ações de educação da população local, mas também pelo impacto causado pelo incêndio de 2015. “Depois de um grande incêndio as pessoas ficam mais amedrontadas, colocam menos fogo, então a gente percebeu que teve uma redução nos focos combatidos nos anos seguintes”, explicou.

O brigadista da brigada voluntária do vale do capão, Paulinho Medeiros, entretanto, aponta que, ao menos, na região do Vale do Capão, a população continua a fazer a coivara, ou seja, a atear fogo nas propriedades privadas, o que é proibido na área e no entorno do parque. “Tem coivara no vale do Capão todo o dia. A população com relação a coivara não melhorou nada não”, disse.

O secretário de meio ambiente também afirma que as queimadas nas propriedades privadas aumentam o risco de incêndio na região e devem ser evitadas. “É necessário aprofundar e massificar essa consciência quanto à prevenção de incêndio pois um simples cigarro jogado na beira de uma estrada pode causar um grande incêndio. Também práticas de produtores rurais antiquadas e tradicionais devem ser evitadas”, disse ao comentar o papel da população nos casos de incêndio.

Apesar do otimismo generalizado, Paulinho afirma que o estado é de alerta devido à quantidade de matéria orgânica acumulada na região e aos fatores climáticos. “Esse ano está sendo um ano muito seco. A gente usa um código de classificação e esse ano a gente ficou em laranja, vermelho. Nos extremos. A gente está em um ano perigoso, de atenção”, disse.

Efetividade e agilidade no combate

Quando a prevenção não é suficiente e o incêndio se inicia, o ideal é combater o fogo com rapidez. Nesse sentido, a observação do Parque Nacional da Chapada Diamantina é fundamental para a mobilização rápida dos brigadistas, o que permite com que o fogo seja contido com danos menores à fauna e à flora.

Instalados após a criação de um planejamento participativo elaborado em 2016, três mirantes permitem que os brigadistas mantenham a observação constante de uma grande área do parque.

“Quando os miranteiros avistam uma fumaça, eles se comunicam com a base no parque e a gente se mobiliza para o combate”, esclareceu a chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina, Soraya Martins.

Ação Unificada

No momento de combater o incêndio, a ação unificada é de extrema importância tanto para chegar mais rápido ao foco, quanto para debelar as chamas.

Para otimizar o trabalho, os brigadistas, tanto voluntários quanto contratados, buscam trabalhar em conjunto. “O comando do fogo é um só, é um comando unificado”, explica a chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Os voluntários são fundamentais para combater o fogo no parque. “Eu tenho certeza que o trabalho das brigadas voluntárias é fundamental para atingir esses índices que a gente tem conseguido”, reconheceu Martins.

Brigadistas reclamam de apoio do governo

Apesar da Secretaria de Meio Ambiente da Bahia afirmar que atua em conjunto com as brigadas e os órgãos ambientais, como o próprio ICMBio, os brigadistas voluntários apontam uma falta de apoio por parte da gestão estadual.

De acordo com André Valadão, voluntário da Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis, o auxílio do governo é pouco eficaz porque os equipamentos entregues às brigadas são de baixa qualidade. “As entidades deveriam, na hora das compras, empregar o dinheiro de maneira mais eficaz, com os equipamentos bons”, criticou.

Para se manter, então, as brigadas buscam apoio dos empresários locais. “A gente atua com a arrecadação da visitação e as doações permitem que a gente compre equipamentos”, explica Paulinho Medeiros, voluntário da brigada voluntária do vale do capão.

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