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Iphan é relegado a órgão de “reforma” pelo deputado que escolheu novo comandante

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Iphan é relegado a órgão de “reforma” pelo deputado que escolheu novo comandante

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia, responsável por identificar, restaurar e preservar os bens culturais do estado, virou alvo de cobiça e moeda de troca política no Palácio do Planalto. Para agradar o deputado federal baiano José Carlos Araújo [Leia mais...]

Iphan é relegado a órgão de “reforma” pelo deputado que escolheu novo comandante

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Por: Matheus Morais no dia 08 de novembro de 2015 às 09:05

 

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia, responsável por identificar, restaurar e preservar os bens culturais do estado, virou alvo de cobiça e moeda de troca política no Palácio do Planalto. Para agradar o deputado federal baiano José Carlos Araújo (PSD), presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados – que vai julgar o processo que pode levar à cassação do presidente da Casa, Eduardo Cunha  (PMDB) –, o governo federal deu a Araújo a chance de indicar um novo comandante para o Iphan do estado.

Saiu Carlos Amorim, com mais de 30 anos de experiência, e entrou Fernando Ornelas, sem ligação com a área de patrimônio. Pra complicar, Araújo disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que “todo mundo tem que começar uma hora em determinada função”. E calma que piora: “E a questão do patrimônio [histórico] é fazer reforma, não há dificuldade em se adaptar”, afirmou. Ou seja: a escolha do novo executivo do Iphan na Bahia coube a alguém que relega um instituto importantíssimo a “fazer reforma”.

 

Araújo jura que não falou o que falou

Durante entrevista à Rádio Metrópole na quarta-feira (4), José Carlos Araújo desmentiu as próprias declarações ao jornal Folha de S. Paulo. “Não, eu não disse isso em hipótese nenhuma. Até porque eu tenho conhecimento que não é só isso. O objetivo do Iphan não é esse, eu não falei isso. Se alguém falou isso, botaram palavras em minha boca”, disse.

 

IAB repudia nomeação

Já o departamento baiano do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-BA) repudiou a nomeação de Fernando Ornelas, destacando que ele só passou a ocupar o novo cargo por questões político-partidárias. Segundo o órgão, em quase 80 anos, a Superintendência do Iphan na Bahia foi ocupada apenas por profissionais atuantes na área.

“A utilização do cargo como moeda de troca em negociações políticas, como ocorre neste momento, é ainda mais grave considerando a atual situação do Centro Histórico de Salvador. O novo Superintendente do Iphan na Bahia deveria ser alguém com experiência e qualificação na área, em condição de dialogar com a sociedade civil e com os especialistas, e não uma pessoa absolutamente estranha à área e que assume o cargo para atender demandas circunstanciais”, posicionou-se o IAB-BA, em nota.