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Quinta-feira, 06 de maio de 2021

Bahia

Maria Augusta Rosa Rocha relata implantação da 1ª iniciativa de educação sexual na Bahia

Professora conta que curso provocou preocupação de pais e orientadores de ensino, mas acabou sendo implantada após apoio da imprensa

Maria Augusta Rosa Rocha relata implantação da 1ª iniciativa de educação sexual na Bahia

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Por: Juliana Almirante no dia 28 de outubro de 2019 às 12:58

A professora e ex-secretária de educação da Bahia Maria Augusta Rosa Rocha relatou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (28), como foi a implantação da primeira iniciativa de educação sexual da Bahia, no Centro Integrado de Educação Anísio Teixeira, da qual ela participou da implantação. 

A iniciativa surgiu diante do número de abortos feitos por alunas que a escola teve conhecimento. Ela conta que, na elaboração do projeto, a escola entrou em contato com a Ufba. A ideia seria fazer inicialmente a educação dos pais e depois dos alunos.

"Recebi ordens de que minha demissão estava pronta, porque os orientadores de ensino e pais se reuníram e acharam que íamos ensinar indecência nas escolas e que íamos induzir as crianças a fazer sexo. Quando nós decidimos isso, era por conta dos abortos que aconteciam. Anticoncepcional não existia naquele tempo ainda", conta.

Ela conta que o curso ficou ameaçado de não acontecer, por conta da repercussão negativa e do receio de prejudicar a imagem do governo. No entanto, coincidiu de a Revista Realidade fazer uma reportagem sobre o curso, elogiando a iniciativa inédita da escola baiana.

"Demos o primeiro curso de educação sexual. Graças a imprensa. Viva à imprensa livre (risos)", comemora Maria Augusta. 

Ela afirma que Centro Integrado de Educação Anísio Teixeira foi um espaço de inovação, em que foi possível implantar formas diferentes de avaliação, por níveis e estágios. Além disso, também foi criado um sistema democrático na universidade, com cargos para alunos como prefeitos e governadores. No entanto, a experiência foi interrompida por conta da ditadura militar. 

"Começamos o colégio em 1968 e vivemos tudo, porque sabiamos que tempo era curto e sabiamos que cada dia poderia ser último da gente. Quando em 1970, (o ex-presidente) Médici vinha inaugurar um colégio, o alunato disse que ditadura não ia entrar lá. (...) Ele acabou nao indo, mas o colégio foi ocupado por forças militares em 27 de abril de 1970. Eu fui demitida e todo mundo foi para a rua", lembra. 

Maria Augusta diz que o trabalho de Anísio Teixeira ainda foi pauta no mestrado de três anos que fez na Universidade de Stanford, nos EUA, onde escreveu artigos sobre a experiência na escola baiana. 

À frente da secretaria de Educação, no governo de Waldir Pires, ela disse que a primeira mudança que implantou foi a mudança na construção das escolas, onde percebeu que havia corrupção. 

"Foi importante na história da educação, porque foi uma secretaria que nunca teve mulher e a maior parte do professorado é feminino. Segundo, porque sou uma mulher negra e falante. Então assumi a secretaria de educação", declarou.

TV METRO

Entrevistas

Jessé Souza

Em 05 de maio de 2021
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