Bahia

'Minhas contas com a ditadura foram ajustadas', diz Aécio Pamponet

Ele lançou na semana passada a obra "Retalhos", livro com por registros do período da ditadura militar brasileira, do movimento estudantil na Bahia, lembranças da história familiar e do momento que prefeito de Macajuba

['Minhas contas com a ditadura foram ajustadas', diz Aécio Pamponet]
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Por Matheus Simoni no dia 02 de Dezembro de 2019 ⋅ 14:59

Ex-prefeito de Macajuba e militante estudantil nos anos 60, Aécio Pamponet contou sua relação com a ditadura militar em entrevista a Mário Kertész na manhã de hoje (2), na Rádio Metrópole. Entrevistado do Na Linha com Mário Kertész, ele contou que sua relação com o período é de distanciamento, já que "acertou as contas" com o passar do tempo. Ele narrou os momentos que foi preso quando atuou na militância política.

"No primeiro ano de faculdade, fui eleito presidente de diretório, mergulhei de cabeça na militância política estudantil. Fui ao Congresso da UNE em Ibiúna. Fui preso, passei um tempo preso e fizemos uma greve de ocupação das escolas e voltei a ser preso. Depois voltei a ser preso no AI-5 e isso enriqueceu muito minha vida e me enriqueceu muito", contou.

Pamponet descreveu a ditadura como um grave problema da sociedade e, como afronta à democracia, não deve ser revivido uma outra vez. "Tenho uma divergência muito grande do pessoal de minha época que se vitimam demais da ditadura. Acho um exagero. A ditadura é uma coisa repulsiva aqui ou em qualquer lugar. Ser democrata é ser humano", narra. 

"Eu não tenho grandes queixas. Eu dei o troco, ela me bateu e eu dei o troco. Ela me perseguiu e me tirou a liberdade, me tirou empregos, mas aprendi muito e me esforcei muito e combati a ditadura intelectualmente e emocionalmente. Eu, pessoalmente, seria até uma sacanagem um cara como eu, que sofri muito pouco da ditadura, ficar me queixando e me vitimando diante do que ela fez com os outros", conta o ex-prefeito, que lamentou ainda os colegas torturados, mortos e desaparecidos no período iniciado em 1964. 

"Minhas contas com a ditadura foram ajustadas. Ela estava no meu papel e eu no meu. Estamos quites, mas ditadura nunca mais. Eu acho que a democracia é o regime que não é perfeito, mas é o mais próximo da natureza humana. Democracia é valor humano, não é valor político somente", finaliza.

Obra 'Retalhos' reúne contos e passagens de vida política

Aécio Pamponet lançou na semana passada a obra "Retalhos", livro com por registros do período da ditadura militar brasileira, do movimento estudantil na Bahia, lembranças da história familiar e do momento que prefeito de Macajuba. Ele ainda reúne momentos do trabalho de jornalista esportivo, de sociólogo, poeta e cronista. "Resolvi compilar isso e dividir em três tomos internos. A parte mais política e de militância eu chamo de sonhos e ilusões. A outra é mais íntima, bem pessoal e afetiva, que chamo de afetos e dores. A outra são contos e risos, a parte de esculhambação que eu gosto mais", conta.

"Tem um anexo que gosto mais de minha vida e a minha passagem pela prefeitura na secretaria de serviços públicos e abastecimento. Isso fiz questão de colocar, não por questão de cabotinismo para me vangloriar, é o meu patrimônio. Fiz muita coisa errada e besteira, mas todo mundo faz", acrescentou o ex-prefeito.

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