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Anselmo Brandão nega racismo na PM-BA: ‘Deixe na conta da pessoa’

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Anselmo Brandão nega racismo na PM-BA: ‘Deixe na conta da pessoa’

Comandante-geral diz que fato de a polícia abordar uma grande quantidade de pessoas negras ocorreria porque a maioria da população na Bahia seria negra

Anselmo Brandão nega racismo na PM-BA: ‘Deixe na conta da pessoa’

Foto: Matheus Simoni/Metropress

Por: Juliana Almirante no dia 03 de março de 2020 às 09:57

O comandante geral da Polícia Militar, Anselmo Brandão, rejeitou, em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã de hoje, a crítica de que a instituição é racista, ao ser questionado por um ouvinte sobre a abordagem policial ser feita, na maior parte das vezes, às pessoas negras. 

“Não é porque são nove meses que vamos formar policial que a sociedade quer. Apesar de a gente fazer capacitação, a gente discute, mas está na essência do ser. O policial é povo. O policial nada mais é do que o povo, na rua, fardado. No dia que você vir a polícia educada, é porque o povo é educado. Uma polícia grosseira, o povo é grosseiro. Se tem racismo, deixe na conta da pessoa. Não é a polícia. A polícia não é racista. A gente não ensina em nossas academias”, defendeu. 

Ele ainda lembrou as ações afirmativas da corporação para promover a inclusão religiosa e diz que atualmente, a instituição tem um comitê interreligioso. Segundo o comadante geral, hoje o policial baiano já pode usar turbante e receber folga para ir a cultos religiosos. 

Brandão disse ainda que o fato de a polícia abordar uma grande quantidade de pessoas negras ocorreria porque a maioria da população na Bahia seria negra.

“Apesar de que, na Bahia, grande parte da população é negra. Esse negócio de 'abordar preto'. Nós abordamos grande quantidade de pessoas negras, como eu, moreno, preto, não sei a forma como a pessoa, define. Porque muitas das pessoas mais escuras cometem delitos. Por isso que você vê: 'Nos presídios só tem pessoas pretas'. Ô, a Bahia é preta? É diferente. Vê no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, você vai ver lá, nos presídios, que fui quando era tenente fui conhecer, grande parte eram de pessoas da cor mais clara", disse o comandante da PM-BA

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, de 2018,
o percentual de autodeclarados pretos na Bahia era de 22,9%, entre os 14,7 milhões de habitantes.

Já o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), de 2017, em todo o país, mostrou que a Bahia tinha o terceiro maior percentual de negros entre a população presa (89%), ficando apenas atrás do Acre (95%) e do Amapá (91%). Em todo o país, naquele ano, 64% da população prisional era composta de pessoas negras.