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Documento que teria confissão sobre morte de Stuart Angel vira item de leilão; especialistas estudam veracidade

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Documento que teria confissão sobre morte de Stuart Angel vira item de leilão; especialistas estudam veracidade

Especialistas ligados à Comissão Nacional da Verdade estão mobilizados para checar se o documento é verídico

Documento que teria confissão sobre morte de Stuart Angel vira item de leilão; especialistas estudam veracidade

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Por: Metro1 no dia 27 de março de 2023 às 12:43

A trágica história do remador Stuart Edgar Angel já era digna de um filme - tanto que rendeu o longa Zuzu Angel, lançado em 2006. Agora, a morte dele ganha novos capítulos. Até o final da tarde da última sexta-feira (24), um documento com supostas informações sobre o que teria acontecido com o jovem e onde o corpo dele teria sido jogado foi anunciado em um pregão do site do leiloeiro Alberto Lopes.

Em uma noite de maio de 1971, durante a Ditadura Militar, a estilista Zuzu Angel recebeu uma ligação informando que seu filho havia sido preso por militares. As forças armadas negaram, mas, pouco tempo depois, ela recebeu uma carta dizendo que Stuart foi torturado até a morte na aeronáutica. Começou ali uma batalha da mãe para descobrir o que realmente aconteceu com seu filho e onde estava o corpo dele. Se o documento não tivesse sido retirado do leilão, com lances a partir de R$ 800, quem quisesse poderia ter arrematado as duas páginas para obter as respostas pelas quais Zuzu tanto batalhou.

Datado de 30 de março de 1976 e com carimbo de registro em cartório, o documento teria sido escrito por um militar da Aeronáutica que confessou ter participado do interrogatório e das torturas que levaram à morte do ex-remador por agentes da Ditadura Militar, Nas duas páginas, o tenente contou como o filho da estilista teria sido vítima de eletrochoques e “pau de arara”, práticas, segundo ele, comuns na Base Aérea do Galeão. Ainda de acordo com a suposta confissão, o corpo de Stuart teria sido transportado em um helicóptero e jogado no mar.

A história não para por ai. Especialistas ligados à Comissão Nacional da Verdade estão mobilizados para checar se o documento é verídico. Vários pontos dão a entender que ele pode se tratar de uma peça de ficção. Uma das hipóteses, inclusive, dá conta que o documento, na verdade, tenha sido produzido para aparecer no longa metragem sobre o caso. 

Para começar, o autor da declaração, identificado no documento como tenente Marco Aurélio de Carvalho, não é conhecido dos estudiosos do período e não consta no “Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)”, de 2009, e tampouco no relatório da Comissão Nacional da Verdade, de 2014. O nome, inclusive, coincide com o de um personagem no filme Zuzu Angel. No longa, a mãe recebe um bilhete assinado por um tenente que teria participado do interrogatório de seu filho.

Ao jornal O Globo, o diretor e o roteirista do filme, Sergio Rezende Marcos Bernstein respectivamente, disseram que não recordam de como construíram a cena e o personagem. Já o ator Aramis Trindade, que encarna Marco Aurélio no filme, diz que Rezende teria lhe explicado que se tratava de um personagem fictício, baseado em outro oficial.

Irmã de Stuart, a jornalista Hildegard Angel não questiona a veracidade do documento e considera esse um momento histórico para “uma busca de mais de 50 anos”.