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Estudo brasileiro indica ligação de vírus zika com outra doença neurológica

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Estudo brasileiro indica ligação de vírus zika com outra doença neurológica

De acordo com um estudo brasileiro, o vírus da zika pode estar associado a outra doença neurológica. A pesquisa será apresentada nesta semana na Reunião Anual da Academia Americana de Neurologia em Vancouver, no Canadá [Leia mais...]

Estudo brasileiro indica ligação de vírus zika com outra doença neurológica

Foto: Universidade Purdue/Divulgação

Por: Alaine Brasil no dia 11 de abril de 2016 às 18:42

De acordo com um estudo brasileiro, o vírus da zika pode estar associado a outra doença neurológica. A pesquisa será apresentada nesta semana na Reunião Anual da Academia Americana de Neurologia em Vancouver, no Canadá. A neurologista Maria Lucia Brito Ferreira, médica do Hospital da Restauração, do Recife, identificou dois casos de encefalomielite aguda disseminada em pacientes que tiveram resultado positivo para o vírus.

A encefalomielite aguda disseminada é uma doença grave que acomete o cérebro e a medula espinhal com o ataque da mielina, substância que reveste as células nervosas. De acordo com Maria Lucia, grande parte dos pacientes fica com sequelas motoras, cognitivas ou visuais, que podem ser leves, moderadas ou severas.

A pesquisadora acompanhou a evolução de um grupo grande de pacientes com sintomas sugestivos de arboviroses – como zika, dengue e chikungunya – que também desenvolveram sintomas neurológicos entre dezembro de 2014 e junho de 2015. De 151 casos, 6 tiveram testes positivos para a zika. Na época do estudo, o diagnóstico da doença era ainda mais limitado e se resumia aos testes de biologia molecular (PCR), que só são capazes de detectar o vírus cinco dias após início dos sintomas. Desses seis pacientes em que foi possível detectar o vírus, quatro tinham a síndrome de Guillain-Barré e dois tinham encefalomielite aguda disseminada. “O estudo foi importante para identificar que havia essa relação, mas não conseguimos encontrar positividade para zika em mais pacientes por causa da limitação do diagnóstico”, diz a médica.

Maria Lucia afirma que, em anos anteriores, o Hospital da Restauração costumava receber no máximo três casos de encefalomielite aguda disseminada ao ano. Durante a epidemia de zika, foram sete casos em apenas um semestre. No caso da síndrome de Guillain-Barré, o aumento foi percebido de forma mais intensa: o hospital, que recebia cerca de 15 casos anuais, atendeu cerca de 60 casos no último ano. 

Ainda segundo a médica, o estudo é mais uma evidência de que o vírus tem neurotropismo, ou seja, predileção por atacar o sistema nervoso, e que é preciso entender de que forma isso acontece e que outras doenças ele pode ocasionar além das que já foram identificadas – a mais frequente delas é a microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas pelo vírus durante a gravidez.