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Alckmin afirma que acordo Mercosul–União Europeia avança e está em fase favorável

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Alckmin afirma que acordo Mercosul–União Europeia avança e está em fase favorável

Vice-presidente demonstra confiança na conclusão do tratado e ressalta relevância estratégica em contexto global adverso

Alckmin afirma que acordo Mercosul–União Europeia avança e está em fase favorável

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 06 de janeiro de 2026 às 18:41

 O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia segue em andamento e encontra-se em um estágio considerado promissor, declarou nesta terça-feira (6) o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. De acordo com ele, o governo brasileiro mantém uma avaliação positiva quanto ao desfecho das negociações, que se estendem há mais de vinte anos.

“O próximo acordo, resultado de um esforço prolongado, de mais de duas décadas, é o Mercosul–União Europeia. Ele está bem encaminhado. Reafirmo nosso otimismo. Trata-se de um acordo de grande relevância para o Mercosul, para a União Europeia e para o comércio internacional, sobretudo em um cenário de guerras, tensões, instabilidade geopolítica e crescimento do protecionismo. Será o maior acordo do mundo”, afirmou Alckmin em entrevista concedida durante a apresentação dos dados da balança comercial brasileira de 2025.

A formalização do tratado estava prevista para dezembro, durante a cúpula do Mercosul, mas foi postergada diante da ausência de entendimento entre os países europeus. As principais resistências partiram de setores conservadores da Itália e, principalmente, de representantes do agronegócio francês, que intensificaram a pressão sobre seus governos para barrar o avanço do acordo.

O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou recentemente que o país não apoiará o tratado sem a adoção de novas cláusulas de proteção aos produtores rurais franceses, consolidando a França como o principal polo de oposição dentro da União Europeia. Ainda assim, a Comissão Europeia informou, na segunda-feira (5), que houve progresso nas tratativas para viabilizar a aprovação do acordo, embora ainda não exista confirmação oficial sobre a data de assinatura.

Mesmo após eventual formalização, o acordo precisará cumprir uma série de procedimentos institucionais. No Brasil, o texto passará pelos trâmites internos do Poder Executivo e do Congresso Nacional, incluindo apreciação e votação pelos parlamentares. No âmbito europeu, será necessário o aval do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu, além da ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 países que integram a União Europeia.

Alckmin voltou a enfatizar a importância estratégica do tratado em um contexto internacional desafiador, marcado por conflitos armados, instabilidade política e retração do comércio. Segundo ele, o acordo Mercosul–União Europeia tende a reforçar o multilateralismo e a cooperação econômica entre blocos.

O vice-presidente destacou ainda que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é intensificar o diálogo e a negociação internacional. Além do entendimento com a União Europeia, o governo trabalha para avançar, a partir de 2026, em novas parcerias comerciais, como o acordo entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos e a ampliação de regimes de preferências tarifárias com países como Índia, México e Canadá.

Ao comentar o desempenho do comércio exterior, Alckmin ressaltou que as exportações brasileiras registraram crescimento de 5,7% em 2025, superando com folga a estimativa de expansão do comércio mundial, projetada em 2,4% pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele também apontou a Argentina como o país que apresentou a maior elevação nas compras de produtos brasileiros no período, com aumento de 31,4%, impulsionado principalmente pela indústria automotiva.