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Governo quer acelerar tramitação do acordo Mercosul–União Europeia no Congresso

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Governo quer acelerar tramitação do acordo Mercosul–União Europeia no Congresso

Alckmin diz que Lula enviará proposta de internalização nos próximos dias, apesar de impasse no Parlamento Europeu

Governo quer acelerar tramitação do acordo Mercosul–União Europeia no Congresso

Foto: Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 22 de janeiro de 2026 às 15:34

O governo brasileiro pretende acelerar a aprovação, pelo Congresso Nacional, do acordo de parceria comercial entre o Mercosul e a União Europeia, assinado no último sábado (17). Segundo o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar nos próximos dias a proposta de adesão e internalização do tratado para análise da Câmara dos Deputados.

“Houve um percalço, mas vamos superá-lo”, afirmou Alckmin, ao comentar a decisão do Parlamento Europeu, que aprovou nesta quarta-feira (21), por 334 votos a 324 e 11 abstenções, o envio do acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia para um parecer jurídico sobre sua legalidade.

Na prática, a medida paralisa o processo de implementação do tratado, que ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos 32 países envolvidos, 27 europeus e cinco sul-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai). Em média, o tribunal europeu leva cerca de dois anos para emitir esse tipo de parecer.

“O Brasil não vai parar. Vai continuar com o processo, encaminhando o pedido de internalização do acordo para o Congresso Nacional”, reforçou Alckmin. Ele destacou ainda que lideranças políticas europeias favoráveis ao pacto, como o chanceler alemão Friedrich Merz, defendem a aprovação e a implementação gradual, em caráter provisório, enquanto o tribunal não se manifesta.

“Quanto mais rápido agirmos, melhor, pois isso pode ajudar a garantir uma vigência transitória enquanto há a discussão na área judicial. Nosso objetivo é que não haja atraso”, acrescentou o vice-presidente.

Após reunião com o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, também comentou o impasse. Segundo ele, a eventual paralisação, após 26 anos de negociações, gera “certa apreensão”, mas o governo segue otimista.

“Entendemos que este é um bom acordo para os dois lados, mas ele enfrenta muita resistência porque há, na Europa, um lobby muito grande contra os produtos brasileiros. Fizemos nosso dever de casa e agora falta o Parlamento Europeu fazer o dele”, afirmou Viana.

Ele revelou ainda que a Apex pretende liderar uma ação para promover a imagem do Brasil na União Europeia e tentar convencer a opinião pública europeia sobre os benefícios do acordo. “O que há é uma disputa de narrativa. Vamos trabalhar a imagem do Brasil e disputar a opinião pública e o parlamento na Europa”, disse.

Viana acrescentou que já conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que lhe garantiu que a análise do acordo será tratada como prioridade pelo Parlamento brasileiro.

De acordo com a ApexBrasil, a implementação do acordo de livre comércio Mercosul–União Europeia pode aumentar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de diversificar as vendas externas. Entre os setores mais beneficiados estão máquinas e equipamentos de transporte, motores e geradores de energia elétrica, autopeças e aeronaves, com redução imediata de tarifas. Também há oportunidades para produtos como couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e itens da indústria química.