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Ex-presidente do Rioprevidência é preso pela PF em caso Master

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Ex-presidente do Rioprevidência é preso pela PF em caso Master

Investigado na Operação Barco de Papel, ex-dirigente é acusado de autorizar investimentos de quase R$ 1 bilhão em títulos de alto risco do Banco Master, que teriam colocado em perigo recursos de 235 mil servidores

Ex-presidente do Rioprevidência é preso pela PF em caso Master

Foto: Rioprevidência/Divulgação

Por: Metro1 no dia 03 de fevereiro de 2026 às 13:48

O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso nesta terça-feira (3) em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, em ação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

Ele havia acabado de retornar dos Estados Unidos e desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Depois, alugou um veículo para seguir até o Rio de Janeiro, mas foi abordado pela PRF durante o percurso. Deivis foi levado para a delegacia da PF em Volta Redonda e deverá ser transferido para a capital fluminense.

Deivis deixou o comando do Rioprevidência em 23 de janeiro, após a deflagração de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção envolvendo o fundo previdenciário dos servidores estaduais, com foco em aplicações feitas no Banco Master.

Sob sua gestão e a de outros dois ex-diretores, o Rioprevidência investiu cerca de R$ 1 bilhão em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, papéis considerados de alto risco e sem proteção do Fundo Garantidor de Créditos.

A PF apura nove aplicações realizadas entre 2023 e 2024 que, segundo os investigadores, teriam colocado em perigo recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores do estado.

Esses investimentos já vinham sendo questionados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro há mais de um ano. Em outubro de 2025, o TCE proibiu novas aplicações do Rioprevidência em títulos administrados pelo banco e apontou indícios de gestão inadequada dos recursos.

A prisão ocorreu na segunda fase da Operação Barco de Papel, que cumpre três mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. As ordens foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio com base em suspeitas de obstrução das investigações e ocultação de provas.

Na primeira etapa da operação, em janeiro, a PF realizou buscas no apartamento de Deivis e afirmou ter identificado movimentações suspeitas, como retirada de documentos, alterações em provas digitais e transferência de bens, incluindo dois carros de luxo, para terceiros. Até a última atualização, os outros dois investigados permaneciam foragidos. 

O Rioprevidência informou que fez nos últimos anos aportes de quase R$ 1 bilhão em fundos ligados ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro. Para a PF, essas operações teriam exposto o patrimônio da autarquia a um risco elevado e incompatível com sua finalidade.

O fundo estadual é responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários a 235 mil servidores do Rio de Janeiro e seus dependentes.

Segundo a Polícia Federal, a investigação iniciada em novembro apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas por um banco privado.

O Banco Master está em liquidação extrajudicial desde novembro, após o Banco Central apontar insolvência e suspeitas de fraude. A PF investiga indícios de gestão fraudulenta, concessão de créditos falsos e lavagem de dinheiro envolvendo a instituição.