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STF dá prazo de dois anos para Congresso regulamentar mineração em terras indígenas

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STF dá prazo de dois anos para Congresso regulamentar mineração em terras indígenas

Ministro Flávio Dino determina que indígenas Cinta Larga possam participar legalmente da exploração mineral em Rondônia

STF dá prazo de dois anos para Congresso regulamentar mineração em terras indígenas

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 07 de fevereiro de 2026 às 11:10

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino concedeu prazo de 24 meses para que o Congresso Nacional aprove uma lei que permita a participação do povo indígena Cinta Larga na exploração mineral legal de seu território, localizado em Rondônia. A decisão liminar foi assinada na última terça-feira (3).

A medida atende a uma ação da Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga (Patjamaaj), que denunciou a omissão constitucional do Congresso pela ausência de regulamentação sobre a participação dos indígenas nos resultados da exploração de recursos minerais e hídricos.

Segundo a entidade, os Cinta Larga enfrentam ameaças constantes de invasão por garimpeiros e conflitos violentos relacionados à exploração ilegal de minérios, resultando em exclusão econômica e falta de renda para a comunidade.

O ministro estabeleceu que a exploração mineral só poderá ocorrer com autorização dos indígenas e sob coordenação do governo federal. Caso aprovada, será criada uma cooperativa indígena responsável pelos pagamentos e pelas autorizações necessárias. A área destinada à mineração não poderá ultrapassar 1% da Terra Indígena Cinta Larga.

Flávio Dino ressaltou que a decisão não determina a exploração, mas busca suprir lacunas legais que favorecem o garimpo ilegal e a atuação de organizações criminosas, garantindo que os povos indígenas deixem de ser apenas vítimas e passem a se beneficiar economicamente.

Em precedente semelhante, no ano passado o ministro determinou que comunidades indígenas impactadas pela Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, recebam 100% dos valores repassados pela concessionária à União, também com prazo de 24 meses para regulamentação pelo Congresso.