
Brasil
Juiz de Fora está entre as 9 cidades com mais moradores em áreas de risco no Brasil
Quase 24% da população vive em locais suscetíveis a enchentes e deslizamentos, aponta levantamento do Cemaden

Foto: Prefeitura de Juiz de Fora
Juiz de Fora está entre os municípios brasileiros com maior número de pessoas vivendo em áreas suscetíveis a deslizamentos, enchentes e enxurradas. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) colocam a cidade na 9ª posição no ranking nacional.
O levantamento faz parte da nova edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e considera o total de moradores em áreas classificadas como de risco geo-hidrológico.
Segundo os dados divulgados em 2024 e válidos até este ano, Juiz de Fora possui 540.756 habitantes. Desse total, 128.946 vivem em regiões mapeadas como vulneráveis a desastres naturais, o equivalente a 23,7% da população.
No contexto estadual, o município é o terceiro de Minas Gerais com maior contingente de moradores em áreas de risco, atrás de Belo Horizonte e Ribeirão das Neves. Nacionalmente, Salvador lidera o ranking, seguida por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Também aparecem entre as dez cidades com maior número de pessoas expostas Recife, Jaboatão dos Guararapes, Ribeirão das Neves, Serra e São Bernardo do Campo.
Especialistas apontam que o relevo acidentado da cidade, marcado por morros e encostas, contribui para o cenário de vulnerabilidade, especialmente em áreas com ocupação irregular ou sem planejamento urbano adequado. Nessas regiões, construções exigem cuidados técnicos específicos, como fundações reforçadas e muros de contenção, além de acompanhamento profissional e orientação da Defesa Civil.
A situação ganhou contornos ainda mais graves nesta semana. A prefeitura decretou calamidade pública na terça-feira (24), após o temporal que começou na segunda (23). Somente em fevereiro, o município acumulou 584 milímetros de chuva, o dobro do esperado para o mês e o maior volume já registrado no período.
De acordo com os dados oficiais mais recentes, a tragédia deixou ao menos 30 mortos, 31 pessoas desaparecidas e cerca de 3 mil desabrigados. Além disso, 600 famílias precisaram deixar suas casas por causa do risco de novos deslizamentos e alagamentos.
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