
Brasil
Tecnologia com cabelo humano é usada para combater poluição na Baía de Guanabara
Projeto pioneiro no país reaproveita fios para absorver óleo e reforçar proteção de manguezais

Foto: Edgar Costa/Fundação Grupo Boticário
Uma solução pouco convencional começou a ser aplicada na Baía de Guanabara para enfrentar a poluição, com o uso de cabelo humano como material de contenção de óleo. A iniciativa está em operação na região da Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro.
A tecnologia consiste em cilindros feitos com fios de cabelo envoltos em tecido, acoplados a estruturas flutuantes já existentes. Antes voltadas apenas à retenção de lixo sólido, essas barreiras passam agora a desempenhar também a função de absorver substâncias oleosas, ampliando sua eficácia ambiental.
A escolha do material tem base científica: o cabelo possui alta capacidade de absorção, podendo reter várias vezes o próprio peso em óleo. Além de eficiente, a alternativa se destaca por ser acessível e sustentável.
O projeto é desenvolvido pelas organizações Orla Sem Lixo Transforma e Fiotrar, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Trata-se da primeira experiência do tipo em ambiente natural no Brasil.
Os fios utilizados são provenientes de doações recebidas pela Fiotrar. Parte desse material já é destinada à produção de perucas para pacientes com câncer, e o excedente, que seria descartado, ganha agora uma nova utilidade ambiental.
Segundo a diretora da Fiotrar, Caroline Carvalho, a aplicação prática da tecnologia marca um avanço após anos de estudo e desenvolvimento. A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Suzana Vinzon, acrescenta que testes realizados ao longo do último ano foram essenciais para adaptar o método às condições específicas da baía.
A iniciativa também contribui diretamente para a preservação dos manguezais, ecossistemas fundamentais para conter a erosão costeira, reduzir impactos de eventos extremos e armazenar carbono, além de manter a biodiversidade local. Para a oceanógrafa Liziane Alberti, a ação evidencia como soluções inovadoras e complementares podem ser decisivas no enfrentamento da poluição marinha.
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