
Brasil
Relatório do MP aponta falhas do RJ no cumprimento da ADPF das Favelas
Conjunto de regras definem como devem ser feitas as operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro

Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o relatório semestral do grupo de trabalho responsável por monitorar o cumprimento das decisões da ADPF das Favelas no Rio de Janeiro. O documento aponta uma série de descumprimentos ou implementação insuficiente das medidas determinadas pelo STF por parte do governo do estado, especialmente ao longo de 2025.
A Operação Contenção é um dos principais episódios analisados. A ação — realizada nos complexos do Alemão e da Penha no fim de 2025 — se tornou a mais letal da história do estado ao deixar ao menos 117 mortos.
O CNMP diz que a megaoperação concentrou uma série de irregularidades, como o uso insuficiente de câmeras corporais (com agentes atuando sem monitoramento), falhas no atendimento médico emergencial e indícios de execuções e abusos. Fora do âmbito da ação policial, o documento identificou ainda problemas estruturais no cumprimento das decisões do STF. Entre eles, a ausência de indicadores concretos e de diálogo com a Defensoria Pública no plano de reocupação territorial apresentado pelo estado.
Além disso, existe ainda a falta de comprovação do cumprimento de exigências da perícia, a exemplo do registro fotográfico obrigatório em crimes contra a vida, e críticas a uma lei estadual que prevê premiação financeira a policiais que “neutralizarem” criminosos.
Segundo o texto, o dado mais preocupante de 2025 foi o registro de 797 mortes decorrentes de intervenção policial no Rio, número que configura uma alta de 13,4% em relação ao ano anterior. No ano passado, de acordo com o relatório, uma a cada cinco mortes violentas no Rio se deram por ação de agentes públicos.
O governo do RJ atribuiu dificuldades no cumprimento das medidas à crise fiscal. Em resposta ao relatório, o estado afirma enfrentar restrições orçamentárias decorrentes do Regime de Recuperação Fiscal, o que limitaria a implementação de políticas públicas e demandaria maior apoio financeiro e institucional da União.
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