
Brasil
PF aponta repasses de R$ 1,3 milhão do Banco Master a empresa ligada a Daniel Vorcaro
Empresa contratou ex-chefe do BC

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Documentos apresentados à Receita Federal e obtidos pelo jornal O Globo apontam que uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro recebeu R$ 1,3 milhão do Banco Master para a contratação de “serviços informais”.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, a Varajo Consultoria era utilizada como parte de uma estrutura de apoio aos negócios de Vorcaro e teria sido usada para intermediar pagamentos ao ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central, Belline Santana, que é investigado e foi afastado do cargo.
Segundo a PF, as contas da empresa funcionavam como uma espécie de “conta de passagem para recebimentos ilícitos”. Em decisão que autorizou a prisão de Vorcaro no mês passado, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou que a consultoria foi usada para formalizar repasses financeiros por meio de contratos simulados.
A decisão destaca que Santana teria recebido proposta de contratação por meio da empresa com o objetivo de justificar pagamentos relacionados a serviços informais prestados ao controlador do Banco Master. As negociações, segundo o documento, incluíam trocas de mensagens e envio de propostas por e-mail, evidenciando o uso de mecanismos contratuais fictícios.
Registros declarados pelo banco à Receita mostram que os repasses foram feitos diretamente pelo caixa da instituição: R$ 1 milhão em 2025 e R$ 309,8 mil no ano anterior.
A Polícia Federal também identificou que a administração da Varajo recebia ordens de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que atuaria sob orientação direta do banqueiro. Em uma das mensagens interceptadas, Vorcaro orienta o pagamento a um beneficiário e sugere reembolso no dia seguinte.
Uma investigação interna do Banco Central, revelada anteriormente pela Folha de S. Paulo, aponta que Belline Santana teria recebido, ao todo, cerca de R$ 4 milhões por meio da empresa, em contratos que, na prática, serviriam para simular os repasses.
Em nota, a defesa de Santana afirma que ele sempre atuou de forma técnica e dentro da legalidade, negando qualquer favorecimento a instituições financeiras ou obtenção de vantagem indevida. A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até a última atualização.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

