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Estudo aponta que ondas de calor causaram mais de 120 mil mortes no Brasil em duas décadas

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Estudo aponta que ondas de calor causaram mais de 120 mil mortes no Brasil em duas décadas

Pesquisa da Fiocruz e da UFBA mostra que idosos são os mais afetados e alerta para impactos crescentes das mudanças climáticas na saúde pública

Estudo aponta que ondas de calor causaram mais de 120 mil mortes no Brasil em duas décadas

Foto: Reprodução/Freepik

Por: Metro1 no dia 17 de junho de 2026 às 16:39

As ondas de calor provocaram mais de 120 mil mortes no Brasil entre 2000 e 2019, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA). O levantamento concluiu que os episódios de calor extremo foram responsáveis por 0,6% de todas as mortes registradas no país no período.

Os pesquisadores alertam que, embora o estudo não tenha projetado o avanço do fenômeno, as mudanças climáticas tendem a aumentar os impactos das ondas de calor sobre a saúde da população nos próximos anos.

A pesquisa mostrou que os idosos são o grupo mais vulnerável aos efeitos das altas temperaturas. Das mais de 120 mil mortes associadas às ondas de calor, cerca de 97 mil ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais, o equivalente a 80% do total.

Segundo a pesquisadora da Fiocruz e coautora do estudo, Beatriz Oliveira, a exposição prolongada ao calor compromete os mecanismos naturais de controle da temperatura corporal, aumentando o risco de problemas cardiovasculares e respiratórios.

"Quando a pessoa não consegue dissipar o calor que recebe ou produz internamente, os mecanismos de termorregulação ficam sobrecarregados e algumas funções do organismo são comprometidas, principalmente as cardiovasculares e respiratórias", explicou.

Crianças também estão entre os grupos de risco

Além da mortalidade, o estudo analisou internações registradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em parte dos municípios avaliados. Os dados apontaram que as crianças também sofrem os efeitos das ondas de calor, principalmente devido ao aumento de casos de desidratação e doenças gastrointestinais.

Os pesquisadores também identificaram crescimento de problemas renais relacionados às temperaturas elevadas.

Desigualdade aumenta os impactos

Outro fator identificado foi a influência das condições socioeconômicas. Pessoas com menor escolaridade apresentaram maior vulnerabilidade, um indicador que, segundo os pesquisadores, reflete diferenças no acesso a ambientes climatizados e a serviços de saúde de melhor qualidade.

Regionalmente, os estados do Norte e Centro-Oeste registraram maior quantidade e duração de ondas de calor. Já o Sudeste e o Sul tiveram episódios mais intensos, enquanto o Nordeste apresentou índices intermediários.

Entre os estados, o Amapá registrou a maior proporção de mortes atribuídas às ondas de calor, com 1,07% do total de óbitos no período analisado. Na outra ponta, a Paraíba apresentou o menor índice, de 0,30%.

Pesquisadores defendem ações preventivas

Para os autores, o calor extremo precisa ser tratado como um problema prioritário de saúde pública. Entre as medidas sugeridas estão a criação de sistemas de monitoramento, emissão de alertas, campanhas de conscientização e mudanças de hábitos da população durante períodos de temperaturas elevadas.

Beatriz Oliveira destaca ainda a necessidade de ampliar a proteção de trabalhadores expostos ao sol, com pausas regulares e hidratação adequada, além de incentivar novas pesquisas sobre o tema. Segundo ela, dados mais recentes ainda precisam ser analisados, já que a pandemia de Covid-19 dificultou a identificação do impacto específico das ondas de calor após 2019.