
Brasil
Cubanos ultrapassam venezuelanos e lideram pedidos de refúgio no Brasil pela primeira vez
País registrou 75,5 mil solicitações no ano passado, terceiro maior volume da série histórica; cubanos responderam por mais da metade dos pedidos

Foto: Organização Internacional de Imigrantes (OIM)
Os cubanos lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, superando os venezuelanos, que ocuparam o topo do ranking por anos. Segundo o estudo Refúgio em Números 2026, divulgado nesta segunda-feira (22), foram registradas 75.599 solicitações no ano passado, um aumento de 10,9% em relação a 2024 e o terceiro maior volume da série histórica, atrás apenas de 2018 e 2019.
Elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça, o levantamento aponta que a retomada dos fluxos migratórios observada desde 2022 continuou em 2025, após as restrições impostas durante a pandemia de Covid-19.
Cubanos assumem liderança
Do total de solicitações feitas ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), 41.919 partiram de cidadãos cubanos, o equivalente a 55,4% dos pedidos. O número representa um crescimento de 88,1% em comparação com 2024.
Os venezuelanos ficaram em segundo lugar, com 21.233 pedidos, seguidos pelos colombianos, com 1.432. Na sequência aparecem Angola (1.253), Marrocos (888) e Gana (792).
O levantamento destaca que Cuba enfrenta uma grave crise econômica e um cenário de tensão com os Estados Unidos. Desde janeiro, o governo do presidente Donald Trump mantém um bloqueio ao petróleo destinado à ilha, que tem enfrentado apagões e aprovado reformas econômicas para tentar conter a crise.
Concentração no Norte
Mais da metade das solicitações analisadas pelo Conare em 2025 foi registrada nos estados da região Norte. Roraima concentrou o maior número de pedidos decididos pelo órgão, com 16.166 registros, o equivalente a 32% do total. Em seguida aparecem Amapá, com 6.372, e Amazonas, com 2.445.
Os principais países de origem dos solicitantes na região foram Venezuela, Cuba e Colômbia.
Perfil dos solicitantes
Segundo o estudo, 94,7% dos pedidos reconhecidos pelo Conare tiveram como base a violação generalizada de direitos humanos, categoria em que se enquadra a maior parte dos venezuelanos.
Os homens representaram 55,9% dos solicitantes, enquanto a faixa etária predominante foi a de 25 a 40 anos. Entre os cubanos, no entanto, a maioria dos requerentes tinha mais de 60 anos, perfil que difere do observado entre as demais nacionalidades.
No Brasil, cabe ao Conare, vinculado ao Ministério da Justiça, analisar e decidir sobre os pedidos de refúgio. O país adota procedimentos facilitados para cidadãos de nações onde reconhece a existência de grave e generalizada violação de direitos humanos, como Venezuela, Síria e Afeganistão.
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