
Brasil
China manifesta interesse em ampliar cooperação com Brasil na produção de terras raras
Presidente do Ibram afirma que país asiático está aberto a parcerias em tecnologias de processamento e separação de minerais estratégicos

Foto: Ricardo Stuckert/PR
A China demonstrou interesse em ampliar a cooperação com o Brasil no desenvolvimento da cadeia produtiva de terras raras, incluindo o compartilhamento de tecnologias de separação e processamento desses minerais. A sinalização foi revelada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, durante entrevista coletiva nesta terça-feira (28).
Segundo Cesário, representantes da embaixada chinesa e outros interlocutores indicaram que Pequim está disposta a firmar parcerias com o Brasil no setor. Para ele, não há restrições à cooperação entre os dois países, mesmo diante da disputa geopolítica envolvendo os Estados Unidos.
"Não vejo limites na cooperação com a China, os Estados Unidos ou qualquer outro investidor, inclusive na área de tecnologias de separação de terras raras", afirmou.
Apesar da sinalização, Cesário ressaltou que ainda não existe uma proposta formal apresentada pelo governo chinês ou por empresas do país. O movimento, no entanto, ocorre em um momento de crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras de minerais críticos, considerados essenciais para a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, baterias e sistemas de defesa.
Brasil desperta interesse de China e Estados Unidos
A aproximação chinesa acontece enquanto os Estados Unidos também buscam fortalecer a cooperação com o Brasil para reduzir sua dependência da cadeia produtiva dominada por Pequim. Atualmente, a China lidera o processamento mundial de terras raras e detém o domínio das tecnologias de separação e refino, etapas consideradas estratégicas para agregar valor aos minerais.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, o país asiático responde por cerca de 94% da produção global de ímãs permanentes sinterizados, componentes utilizados em diversos setores da indústria de alta tecnologia.
Embora mantenha forte relação comercial com a China, os principais projetos brasileiros de terras raras estão concentrados em empresas listadas em bolsas da Austrália, do Canadá e dos Estados Unidos. O caso mais avançado é o da Serra Verde, em Goiás, única produtora comercial de terras raras do Brasil, que anunciou uma parceria com a empresa norte-americana USA Rare Earth.
O governo brasileiro defende que acordos internacionais contribuam não apenas para a exploração das jazidas, mas também para a instalação no país de estruturas de processamento, refino e industrialização. A avaliação do setor mineral é que o interesse simultâneo de China e Estados Unidos pode ampliar o poder de negociação do Brasil e atrair investimentos para desenvolver uma cadeia produtiva nacional.
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