
Brasil
Advogado Nelson Wilians é alvo de nova operação que apura lavagem de dinheiro com bets
Advogado é suspeito de atuar como operador financeiro de grupo investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas; ação mira empresas ligadas a apostas esportivas

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A Polícia Federal realiza, nesta quinta-feira (13), uma nova operação que tem como alvo o advogado Nelson Wilians. Os agentes cumprem um mandado de busca e apreensão na mansão dele, em São Paulo, por determinação da Justiça Federal da Paraíba.
A ação faz parte da Operação Arena, que investiga um grupo empresarial do Nordeste suspeito de usar estruturas societárias e financeiras no exterior para esconder a origem e o destino de recursos obtidos por meio da exploração de jogos de azar e apostas esportivas.
O principal alvo da investigação é a PixBet, empresa sediada na Paraíba. Segundo a PF, o esquema também envolve a PixStar, apontada como uma empresa de fachada com sede na ilha de Curaçao, no Caribe. Os investigadores identificaram pagamentos entre as duas empresas.
Nelson Wilians é investigado sob suspeita de atuar como operador financeiro do grupo. De acordo com a apuração, ele teria ajudado a ocultar bens que, segundo os investigadores, foram obtidos de forma ilegal.
Ao todo, a PF cumpre 17 mandados de busca e apreensão nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. As medidas foram autorizadas pela 4ª Vara Federal da Paraíba e incluem ainda quebras de sigilos bancário e telemático, além do sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
Os investigados podem responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros delitos contra o sistema financeiro nacional.
Operação sobre fraude no ICMS
Nelson Wilians também foi alvo, em 15 de julho, de uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP), que apura um esquema de venda de créditos falsos de ICMS para reduzir ilegalmente o valor de impostos pagos ao estado.
Segundo a investigação, o grupo teria provocado uma sonegação de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários. O escritório de Wilians também foi alvo de buscas naquela ocasião.
A esposa do advogado, Anne Wilians, que também é advogada e sócia dele, está entre os alvos daquela investigação. Em Londrina, no Paraná, a operação também atingiu a advogada Mayra de Paula, apontada pela investigação como “sócia” de Wilians nas fraudes.
Na época, o escritório Nelson Wilians Advogados afirmou que “a gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV”. Ainda segundo a nota, “ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes”.
Sobre a nova operação, o escritório informou que “na medida cumprida nesta data, o NWADV recebeu as autoridades, prestou integral colaboração e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários”.
Além do núcleo relacionado ao grupo de Nelson Wilians, a investigação mira integrantes dos grupos Alpha e Dmc. Para justificar a origem dos créditos, os investigados alegavam, entre outras coisas, supostos direitos relacionados a massas falidas e antigas decisões judiciais de desapropriação.
A Alpha Group negou qualquer irregularidade. Em nota, afirmou ter recebido “com absoluta perplexidade e surpresa” a informação de que era alvo da Operação Distrato. “A Alpha não compactua com qualquer tipo de irregularidade, negando com veemência a prática de qualquer ilícito fiscal ou penal”, declarou a empresa, que também disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O CIRA/SP abriu 874 Ordens de Serviço Fiscal para analisar cerca de 9.960 lançamentos considerados suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas. Segundo o comitê, a investigação busca diferenciar aqueles que teriam participado conscientemente do esquema daqueles que podem ter sido enganados.
Até o momento, as verificações fiscais realizadas pela Secretaria da Fazenda resultaram em autos de infração contra 752 empresas.
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