Sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Brasil

/

Nelson Wilians se afasta de escritório após ser alvo da PF em operação envolvendo bets

Brasil

Nelson Wilians se afasta de escritório após ser alvo da PF em operação envolvendo bets

Advogado foi um dos 17 alvos de mandados de busca e apreensão; PF investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas

Nelson Wilians se afasta de escritório após ser alvo da PF em operação envolvendo bets

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por: Metro1 no dia 14 de agosto de 2026 às 14:07

Atualizado: no dia 14 de agosto de 2026 às 14:16

O advogado Nelson Wilians se afastou por tempo indeterminado do comando do escritório que leva seu nome, a NWADV, após ser alvo da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (13). A decisão partiu do próprio advogado e foi comunicada à imprensa nesta sexta-feira (14).

Wilians foi um dos 17 alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal. A operação investiga um grupo empresarial do Nordeste suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas.

Segundo a investigação, o advogado é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo e de ocultar bens que teriam sido obtidos de forma ilegal.

Com o afastamento, a administração da NWADV passa a ser exercida por um Comitê Executivo. O grupo será responsável pela continuidade das operações, pela governança institucional e pelo relacionamento com clientes, colaboradores, parceiros e demais públicos de interesse.

Em comunicado, o escritório informou que a decisão foi tomada por Wilians para que ele possa se dedicar à família e acompanhar os desdobramentos da investigação.

“A decisão foi comunicada pelo próprio Dr. Nelson Wilians, que optou por dedicar-se neste momento ao cuidado de sua família. O afastamento também permitirá que ele acompanhe os desdobramentos da apuração em curso e permaneça à disposição das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários”, informa o comunicado.

Operação Arena

A Operação Arena foi autorizada pela Justiça Federal da Paraíba e também determinou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão.

Ao todo, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

O principal alvo da investigação é a PixBet, empresa da Paraíba. Segundo a Polícia Federal, foram identificados pagamentos entre a PixBet e a PixStar, sediada em Curaçao.

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por crimes como evasão de divisas e lavagem de dinheiro, além de outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

A defesa de Nelson Wilians afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços de advocacia.

Segundo o advogado Santiago Schunck, que representa Wilians, a atuação do escritório se limita ao exercício regular da advocacia e não se confunde com as atividades empresariais dos clientes.

“A atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes”, afirmou.

“É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa”, completou a nota.

Escritório emitiu notas de R$ 37,8 milhões

Segundo a investigação, o escritório de Nelson Wilians emitiu 15 notas fiscais que somam R$ 37,824 milhões para a PixStar, empresa sediada em Curaçao e apontada pelos investigadores como uma empresa fictícia utilizada para dar aparência legal à movimentação de recursos.

As notas, de acordo com a PF, não especificavam de forma concreta os serviços que teriam sido prestados. Os investigadores afirmam que elas eram emitidas conforme surgia a necessidade de justificar a entrada dos valores no Brasil e “formar caixa”.

O escritório aparece, segundo a investigação, como um dos principais beneficiários das movimentações envolvendo a PixStar.

Para a PF, as notas serviam para justificar a entrada de valores no Brasil sob a aparência de pagamentos por serviços advocatícios. A suspeita é de que os recursos estivessem relacionados às atividades de jogos de azar e apostas esportivas investigadas pela operação.

Segundo a investigação, a PixStar era usada como um “ardil” para sustentar a narrativa de que a atividade de apostas era exercida fora do Brasil antes da autorização legal desse tipo de operação no país.

Investigação sobre o INSS

Nelson Wilians também havia sido alvo da Polícia Federal em setembro do ano passado. Na ocasião, o advogado foi investigado por suposta participação em um esquema de fraudes e desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Wilians é dono de um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil e soma mais de 1,4 milhão de seguidores em uma rede social.